Economia

Por que os fabricantes chineses de smartphones não conseguem ganhar mercado no Brasil?

Por que os fabricantes chineses de smartphones não conseguem ganhar mercado no Brasil?

Você, provavelmente, ainda não teve um celular chinês – a não ser que ele seja um dos novos da Motorola, que foi comprada pela Lenovo. E, dificilmente, terá um no futuro próximo.

Mas, fora do Brasil, mais da metade dos smartphones já são de marcas chinesas. As que mais crescem são grandes desconhecidas do público brasileiro, como Vivo e Oppo. Outras que estão ganhando relevância são Xiaomi e Huawei, marcas que já se aventuraram no mercado nacional, mas não conseguiram sucesso.

Segundo pesquisa da consultoria asiática Counterpoint Research, o mercado de smartphones cresce abaixo de 5% ano a ano, mas as marcas chinesas apresentaram um impulso de 48% entre o segundo trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017.

Os grandes mercados dos celulares chineses estão na própria Ásia e na África, aponta a consultoria. “As marcas chinesas têm sido bem-sucedidas, não só consolidando suas posições em seu país de origem, mas também ao tentarem expandir-se para além da China. A maioria dessas marcas optou por canais físicos como a principal estratégia para entrar em novos mercados. Além disso, apoiaram suas estratégias com gastos de marketing agressivos em campanhas acima da linha e abaixo da linha”, diz Tarun Pathak, diretor da Counterpoint.

Por que não conseguem entrar no Brasil?

Segundo Tina Lu, também da Counterpoint, a estratégia dos chineses de conceber o projeto e fabricá-lo no próprio País impede a entrada com preços baixos no mercado brasileiro. Diferentemente do que acontece com as coreanas Samsung e LG, que, em vez de produzirem em seus países de origem, preferem montar o produto final próximo ao mercado consumidor.

Isso eleva consideravelmente os preços dos produtos, pois o Brasil (a Argentina adota a mesma estratégia) impõe barreiras tarifárias para celulares acabados, o que encarece o produto final em 45%. Caso a importação seja feita por regime simplificado, o custo sobe 60%. No País, apenas a Alcatel, que pertence a chinesa TCL, e a Motorola, que agora é subsidiária da Lenovo, produzem no Brasil.

“Uma das principais vantagens competitivas das empresas chinesas é seu baixo custo no processo de fabricação. Isso inclui o fornecimento de peças em uma área próxima da montagem final e a infinita capacidade de mão-de-obra de baixo custo sem interferência sindical. Qualquer processo de montagem no exterior certamente irá reduzir essa vantagem”, explica Tina Lu.