Por que o vinho entrou na pauta econômica?

Além das discussões sobre a substituição tributária, a bebida é tema do acordo
bilateral entre Mercosul e União Europeia

Por que o vinho entrou na pauta econômica?

Apesar das crises econômicas e alta cara tributária, o Brasil é considerado um mercado em potencial pelos produtores internacionais

O tamanho do nosso Brasil enche os olhos dos produtores de vinho de outros países. Não há enólogo, dono de vinícola ou diretor de exportação que venha ao Brasil e não sonhe em vender quantidades astronômicas de sua bebida para os consumidores brasileiros. Somos, mesmo com todas as nossas crises e altas de impostos, um mercado potencial. Poucos prestam atenção para as razões de o consumo interno não chegar aos 2 litros per capita por ano, isso incluindo não apenas os vinhos finos como
os populares vinhos de mesa.

Nesta semana veio à tona, em uma reportagem do jornal Valor Econômico, um assunto que vem agitando as discussões de técnicos nos Ministérios da Economia, da Agricultura e até no Itamarati: o vinho virou moeda de troca nas negociações do acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia. Os países europeus querem o fim do imposto de importação, hoje em 27%, para uma enorme cota de 30 milhões de litros de vinho por ano. O tema está na mesa e tem levado os diretores do Ibravin, o
Instituto do Vinho Brasileiro, a reuniões semanais em Brasília.

O volume é significativo: corresponde a mais de 70% da quantidade de vinhos europeus que entram no mercado brasileiro por ano. Entre os temores do setor, está a possibilidade que este volume represente uma enxurrada de rótulos baratos, de baixa qualidade, e que desestabilize a indústria nacional.

Aqui, sempre me pergunto se não é possível uma medida que desestimule a entrada dos vinhos de baixíssima qualidade, não apenas da Europa. São vinhos que em nada contribuem para o crescimento do mercado consumidor e que prejudicam, fortemente, a indústria nacional. E, por outro lado, se não é possível pensar em uma medida que incentive a saudável competição entre os vinhos de maior qualidade, sejam eles brasileiros ou importados.



As cotas assustam até os próprios importadores de vinho. Nem sempre a cota é, digamos, bem distribuída entre todos os concorrentes do mercado.

Há, por fim, quem veja, no recente anúncio da retirada da ST (o imposto de substituição tributária) para os vinhos no Rio Grande do Sul, como uma forma de já ajudar os produtores gaúchos frente a esta proposta no acordo bilateral. Na sexta-feira passada, o governador Eduardo Leite anunciou o fim deste imposto para os vinhos no
Estado, medida que deve ser válida a partir de setembro.

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Sobre o autor

Suzana Barelli, editora de vinhos da Revista Menu, é uma jornalista especializada em vinhos


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