Semanal

Por que o mercado de tecnologia não consegue superar desigualdade racial e de gênero?

Crédito: Andrea Piacquadio/Pexels

Segundo pesquisa do Pew Research Center, a distância salarial entre um homem branco e uma mulher negra é de 63% (Crédito: Andrea Piacquadio/Pexels)

Mais uma pesquisa. Mais uma decepção. Desta vez o levantamento foi feito pelo renomado Pew Research Center, com dados referentes ao mercado americano dos anos 1990 a 2019 e divulgados agora. E a conclusão é que um dos maiores paradigmas do mundo da tecnologia permanece solidamente de pé: mulheres ainda são minoria nas carreiras chamadas Stem (acrônimo em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática). E isso não será diferente sem o envolvimento visceral das grandes empresas e das instituições de ensino superior. Nos Estados Unidos, que acabam puxando a média global, a participação das mulheres no campo da computação caiu de 32% do total de empregos (1990) para 25% (2019). No campo da engenharia, a participação cresceu, mas de míseros 12% para deprimentes 15%. Em três décadas. No mercado geral elas representam 47% das vagas. As carreiras em Stem não apenas são as de maior oferta de vagas hoje como remuneram mais. A baixa participação feminina nelas provoca distorções que vão da ocupação à renda média. O tema é tão grave que é um dos 17 Objetivos Globais da Agenda do Desenvolvimento de 2030 da ONU.

Com pandemia, desigualdade racial no mercado de trabalho bate recorde

Na pesquisa do Pew Research o escopo para as carreiras Stem foi alargado e englobou também a participação feminina em diversos campos da saúde e da medicina, elevando um pouco a média geral. No segmento de saúde, as mulheres somam 74% dos profissionais e técnicos. Há três décadas elas eram 72%. Das seis áreas analisadas (saúde, ciências da vida, ciências físicas, matemática, computação e engenharia), somente em saúde as mulheres foram maioria. Nas demais, ficaram abaixo da metade: ciências da vida (48%), matemática (47%), ciências físicas (40%), computação (25%) e engenharia (15%). Mas mesmo onde predomina a presença feminina, no caso da saúde, nas subáreas de ponta elas têm uma participação menor – entre médicos e cirurgiões representam 38%, e entre paramédicos chegam a 33%.

A baixa representatividade por gênero mostra uma desigualdade que também se manifesta no campo racial. Nessa esfera, trabalhadores negros aparecem representados abaixo da média. De todos os tipos de emprego, negros ocupam 11% das vagas. Na computação e na engenharia, esses índices caem respectivamente para 7% e 5%. O oposto do que ocorre com asiáticos, no mercado americano. Estes preenchem 6% de todas as vagas de emprego, mas no campo Stem os índices mudam e sobem – na computação (20%), na engenharia (13%) e na matemática (16%).



Como a discriminação e a desigualdade inercialmente geram mais discriminação e desigualdade, o efeito vai refletir nos salários. Nas carreiras Stem, a pesquisa revela existir outra hierarquia orgânica relacionada a gênero e cor. Homens brancos ganham em média mais, mulheres negras e hispânicas recebem menos. Homem Asiático (US$ 103 mil de salário anual), Homem Branco (US$ 90,6 mil), Mulher Asiática (US$ 88,6 mil), Homem Hispânico (US$ 73 mil), Homem Negro (US$ 69,2 mil), Mulher Branca (US$ 66,2 mil), Mulher Negra (US$ 57 mil) e Mulher Hispânica (US$ 57 mil). A distância salarial entre um Homem Branco e uma Mulher Negra, por exemplo, é de 63%. Isso significa que ela leva 16 anos para receber o que ele leva dez anos.

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