Investidores

Por nossa conta (e risco)

Para os investidores, o que importa saber agora é se o Ibovespa conseguirá sustentar um patamar acima dos 100 mil pontos. E um fato é inquestionável: a B3 ficou pop.

Crédito: Istock

Sair da renda fixa e migrar para a bolsa é o equivalente a escolher entre tomar banho ou saltar na piscina. Em ambas você fica molhado. Mas uma situação nada tem a ver com a outra. A euforia com o Ibovespa do segundo semestre de 2019 foi substituída pela sensação de ladeira abaixo com o início do isolamento social pela pandemia, em março, e agora volta ao topo quimérico dos 100 mil pontos. A grande notícia disso tudo é outra: a retomada se deu graças ao dinheiro dos brasileiros. “Quem tem feito o Ibovespa subir nesses meses é o investidor local”, diz o economista-chefe da Modalmais, Álvaro Bandeira. Para a economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Helena Veronese, há um crescimento sustentável e notícias ruins internas ou externas que possam gerar volatilidade já estão nos preços das ações. “A mensagem é de a tendência ser mais positiva do que negativa. Só é preciso ter cautela”.

Para o mercado, pouco importa se o patamar fica em 100 mil pontos, avança, ou continua pregando sustos. A grande novidade é que o investidor nacional tem sido o combustível do que deve ser o mercado acionário. Sendo resiliente a altos e baixos. A B3 agora é pop. E isso é um salto cultural.

Patricia Corvo

“Não acredito em retorno ao patamar do início do ano. Mas. na pior das hipóteses, não ficará abaixo dos 90 mil” Alexandre Sabanai, Analista da Perfin.

Sob essa leitura fica mais fácil digerir, e entender, o primeiro cenário, marcado pelo dia 19 de junho de 2019 — quando o Ibovespa chegou aos seis dígitos pela primeira vez. Dali até o começo de 2020 a alta foi sustentável, impulsionada por um otimismo baseado na queda constante da taxa Selic, e fez que o índice chegasse ao seu maior patamar, 119.528 de pontos, em janeiro. Aí veio o segundo cenário. Um vírus. Com uma pandemia reconhecida em março pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ibovespa chegou a cair para 63.570 pontos, no dia 23 de março. Nesse caminho, o acionamento constante do circuit breaker, mecanismo que interrompe as transações na B3 quando a queda supera 10 pontos percentuais, deixou os investidores em pânico. Só que isso durou pouco. O terceiro cenário, da resiliência, veio logo. Em abril, o Ibovespa já estava em 80.506 pontos, em maio fechou em 87.410 e em junho fechou nos 95.056. Na sexta-feira (10), o pregão se encerrou em 100.032 pontos, o primeiro acima do limite centenário desde março.

REAJUSTE Superar altos e baixos é o primeiro sinal de maturidade do mercado acionário. Economistas ouvidos pela DINHEIRO dizem que um forte reajuste negativo pode acontecer. Já analistas de corretoras e de gestoras trazem visões menos descendentes. Para eles, o bom desempenho deve se manter ao longo do semestre. Alexandre Sabanai, analista da Perfin, avalia que o índice possa variar entre 90 mil e 110 mil pontos conforme o tipo de notícia que seja divulgada nos próximos meses. “Não acredito que ela retorne ao patamar do início do ano”, diz Sabanai. “Mas, na pior das hipóteses, não ficará abaixo dos 90 mil”.

Bandeira, da Modalmais, trabalha com a possibilidade de, durante os próximos 30 ou 60 dias, a Bolsa alternar entre 105 mil e 108 mil pontos. Seria possível atingir os 120 mil pontos até o fim do ano. Para isso seria necessário um conjunto de fatores positivos, entre eles que o governo apresente suas iniciativas com vistas aos ajustes necessários para manter a economia em funcionamento de forma sustentável, depois de tantas despesas fiscais para proteger empresas e empregos durante o isolamento social. Bandeira também lembra que é necessário o governo resolver os problemas políticos internos, assim como os de ordem ambiental, que afastam investidores. Até 8 de julho, já haviam saído R$ 3 bilhões da B3. No ano, as retiradas dos estrangeiros acumulam R$ 79,5 bilhões.

Divulgação

“O que quem tem feito o Ibovespa subir nesses meses é o investidor local” Álvaro bandeira, economista-chefe da Moldamais.

Sem arriscar previsões, o economista Marcelo Kfoury Muinhos, da Fundação Getulio Vargas, reforça os discursos dos analistas. Segundo ele, essa recuperação é saudável e não fruto de especulações que poderiam gerar uma bolha. “Está havendo melhora do ambiente econômico e a Bolsa costuma antecipar isso”, diz. De acordo com levantamento do Bank of America (BofA), a maior parte espera que fique entre 95 mil e 110 mil. No início de abril, 50% dos gestores ouvidos pelo BofA esperavam ver o ano terminando com o índice entre 80 mil e 95 mil pontos.

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