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Polícia e manifestantes se enfrentam em universidades em Hong Kong

Os manifestantes pró-democracia em Hong Kong e a polícia se enfrentavam nesta terça-feira (12) no distrito comercial do território chinês e em diferentes campi universitários, após um dos dias mais violentos em cinco meses de protestos.

Na segunda-feira, um manifestante de 21 anos ficou ferido pelo disparo de um policial. Um homem teve o corpo incendiado.

Hoje, pequenos grupos de jovens mascarados voltaram a bloquear as principais conexões, lançaram objetos nas vias e impediram a saída dos metrôs.

“O Estado de Direito em Hong Kong foi levado à beira do colapso total”, disse em entrevista coletiva na terça à tarde o porta-voz da polícia, Kong Wing-cheung, que denunciou atos de violência.

No bairro Central, onde estão as grandes empresas estrangeiras e as lojas de luxo, milhares de funcionários de escritórios organizaram concentrações espontâneas na hora do almoço, gritando: “Lutem pela liberdade, apoiem Hong Kong!”.

Centenas de manifestantes radicais vestidos de preto e com máscaras bloquearam a circulação com um ônibus em uma das grandes artérias do bairro.

Na sequência, lançaram paralelepípedos e outros objetos, e o Batalhão de Choque respondeu com gás lacrimogêneo.

Os campi universitários se transformaram, pela primeira vez, em palco de enfrentamentos.

Na Universidade chinesa de Hong Kong, a polícia disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha nas centenas de manifestantes que ergueram barricadas.

Os manifestantes jogaram pedras e coquetéis molotov, e um veículo, usado para instalar uma barricada, foi incendiado.

Na Universidade municipal de Hong Kong, do alto de uma passarela, os manifestantes lançaram paralelepípedos nos policiais.

Grupos de manifestantes radicais com máscaras também colocaram barricadas no local e bloquearam várias vias nas universidades de Hong Kong. Na Politécnica, houve confrontos quando a polícia tentava prender uma estudante.

A circulação de ônibus e metrôs foi bastante afetada pelo segundo dia consecutivo em muitos bairros da cidade.

Os veículos da imprensa oficial chinesa noticiaram hoje que o Exército Popular de Libertação, que tem uma guarnição em Hong Kong, está pronto para apoiar a polícia, se for necessário.

Hong Kong teve na segunda-feira um de seus dias mais violentos e caóticos em 24 semanas de mobilização para pedir reformas democráticas.

– Pedidos de calma –

Ao longo do dia, os manifestantes saquearam estações de metrô e instalaram barricadas em alguns cruzamentos. Também atacaram lojas que consideram favoráveis ao governo de Pequim.

O vídeo do policial atirando em um manifestante na segunda-feira foi transmitido ao vivo no Facebook e viralizou, causando grande comoção entre os manifestantes.

Outro vídeo divulgado depois mostra um homem jogando líquido inflamável em alguém. Ele ateia fogo em seguida. A vítima queimada e o que foi baleado se encontravam em estado crítico nesta terça, de acordo com fontes médicas.

Esta jornada de violência levou as potências ocidentais a pedirem à chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, que chegue a um acordo com os manifestantes.

“Condenamos a violência de todas as partes […] e pedimos a todas as partes – polícia e manifestantes – que mostrem moderação”, declarou um porta-voz do Departamento de Estado americano, que manifestou sua “grave preocupação”.

Já o Ministério britânico das Relações Exteriores considerou “profundamente preocupante” a violência registrada na segunda-feira.

“Os manifestantes deveriam evitar a violência, e a polícia, não responder de maneira desproporcional”, declarou o porta-voz da diplomacia britânica.

Ao ser questionado sobre essas críticas, o Ministério das Relações Exteriores chinês rejeitou as considerações de Londres e Washington e apoiou o policial que atirou.

“Como se pode ver no vídeo, o agitador atacou o policial primeiro, e este reagiu em total conformidade com a lei”, disse o porta-voz do Ministério, Geng Shuang.