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Polícia de Minas Gerais aponta racismo como motivo de morte de idoso

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu que o racismo motivou o assassinato de um homem de 62 anos, em Belo Horizonte, no fim de maio. Após ser detido, o homem acusado de cometer o crime, de 66 anos, admitiu que tinha frequentes desavenças com o vizinho, sempre com provocações de cunho racial.

O crime ocorreu no último dia 31, no Bairro Tirol, em Belo Horizonte. Hoje (10), ao anunciar a conclusão do inquérito, a Polícia Civil informou que o acusado, cujo nome não foi revelado, usou uma faca e um bastão para matar a vítima, Antônio Alves de Freitas.

Após ser autuado por homicídio, o acusado prestou depoimento. Ele contou que, no dia do crime, já tinha discutido mais cedo com a vítima. A confusão inicial ocorreu em um bar e, segundo o delegado Domênico Rocha, teria começado por conta de ofensas raciais desferidas pelo acusado assim que a vítima chegou ao local. O dono do estabelecimento pediu à vítima que se retirasse para evitar que o bate-boca evoluísse para uma briga.

Mais tarde, segundo o delegado, o acusado foi até a casa da vítima, seu vizinho há muitos anos. Ainda do lado de fora, os dois recomeçaram a discussão. Foi então que, segundo a Polícia Civil, o acusado teria atacado a vítima, acertando-lhe uma facada. A vítima ainda tentou escapar, mas seu agressor a alcançou.

“A perícia constatou manchas de sangue da vítima por todo o percurso da rua onde o fato aconteceu, mas o autor a perseguiu obstinadamente por vários metros até que a alcançou e a matou com vários golpes de faca e de um bastão”, narrou o delegado.

Ainda de acordo com Rocha, testemunhas ouvidas no curso da investigação confirmaram que os dois idosos já vinham se desentendendo há algum tempo e que, mais de uma vez, o acusado ofendeu a vítima com xingamentos racistas. Segundo as testemunhas, o acusado manifestava publicamente seu preconceito contra pessoas negras – caso da vítima.

“Pensávamos que se tratava de um desentendimento banal entre vizinhos que evoluiu para uma tragédia, mas tão logo começamos a ouvir testemunhas, ficou bastante claro que a motivação [para o crime] residia na intolerância racial do autor [acusado] para com as pessoas negras”, afirmou Rocha a jornalistas.

Além do homicídio qualificado pelo motivo torpe e pela impossibilidade de defesa da vítima, o suspeito vai responder também pelos crimes de racismo e injúria racial.

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