Geral

“PIB terá forte correlação com marca Brasil”, diz CEO da The Store WPP

Crédito: Marco Ankosqui / Agência ISTOÉ

David Roth, CEO de The Store WPP (Crédito: Marco Ankosqui / Agência ISTOÉ)

“O crescimento do PIB terá fortes correlações com a marca Brasil”, disse David Roth, CEO do The Store WPP e responsável pelo BrandZí na premiação as Marcas Mais Valiosas do Brasil 2018. O evento é realizado pela ISTOÉ DINHEIRO, em parceria com a Kantar, a WPP e a ESPM.

Ele destacou a performance das marcas mais valiosas no mundo em relação a índices do mercado financeiro. Segundo ele, as 100 empresas com marcas mais fortes globalmente, elencadas pela Brandz, tiveram um desempenho quase duas vezes melhor do que as empresas listadas no índice S&P 500, um dos principais da bolsa de Nova York, desde 2009.

Roth comentou sobre a importância de analisar não só as marcas brasileiras, mas a marca do país em si mesma. Entre 80 nações no ranking BrandZí, o Brasil está em 29º. Ficou atrás da Rússia, em 26º, da Índia, em 25º e da China, em 20º.

Para ele, a grande dificuldade em gerenciar essa, como outras marcas, está na grande fragmentação e incerteza que vem do consumidor. “Há uma crise de liderança no mundo hoje”, afirmou Roth. De acordo com ele, 82% da população mundial tem essa percepção. No Brasil, esse sentimento é ainda mais alto: 90% dos brasileiros. É mais acentuado que no México, em que são 85%, e no Chile, que são 77%.

Sim, há líderes mundiais com boa imagem, como Justin Trudeau (Canadá) e Angela Merkel (Alemanha). Mas a imagem ruim fala bem mais alto na percepção do consumidor, como o que evocam os  nomes de Donald Trump (EUA), Vladimir Putin (Rússia) e o próprio presidente brasileiro Michel Temer. Enquanto isso, Roth acentuou a boa imagem de líderes corporativos como Eric Schmidt (Google), Mark Zuckerberg (Facebook) e Elon Musk (Tesla). O chinês Jack Ma também está faz parte desse Olimpo dos líderes mundialmente admirados.

Quando se trata das empresas, a situação das marcas também é indiscutivelmente melhor: 61% das pessoas acredita mais nelas do que nos governos. Por isso mesmo, para 85% do mundo há o desejo que os CEOs e líderes sejam mais ativos e se manifestem mais sobre questões sociais. No Brasil, é ainda maior: 93% das pessoas pedem o envolvimento dos executivos.

A admiração do consumidor aponta também a importância da inovação na relação entre consumidor e marca. “Quando começamos o estudo, em 2006, tecnologia era apenas 37% do total de 100 marcas. Hoje são 54%”, disse Roth. “A mudança é a única constante.”

Outro indício importante é que as marcas domésticas desafiam as marcas globais em seus mercados locais. “Isso acontece em vários países do mundo. As empresas estão redescobrindo sua herança local”, disse Roth. “Isso gera uma grande força para as marcas locais, com valor superior para seus acionistas.”