Finanças

Petróleo fecha em queda, com PMI industrial fraco dos EUA no radar

Os contratos futuros do petróleo encerraram a sessão desta quinta em queda. Os preços foram pressionados pela leitura de forte contração da atividade manufatureira nos Estados Unidos, com o índice de gerente de compras (PMI, na sigla inglês) industrial de agosto, que caiu ao menor nível em quase dez anos.

O petróleo WTI para entrega em outubro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) caiu 0,59% para US$ 55,35 o barril. Já o petróleo Brent para o mesmo mês na Intercontinental Exchange (ICE) teve baixa de 0,63%, a US$ 59,92, perdendo a marca psicológica de US$ 60 por barril.

A atividade industrial americana recuou em agosto a 49,9, o que indica contração do setor. O PMI da indústria atingiu seu menor registro em 119 meses, segundo dados preliminares publicados pela IHS Markit. No mesmo período, os PMIs industriais do Japão, Alemanha e zona do euro também tiveram leituras abaixo de 50.

“Os dados do PMI reforçam as preocupações sobre uma desaceleração da indústria global”, avalia o analista Vitor Sun Zou, do BBVA. Os indicadores fracos pesaram sobre commodities de uso industrial, como o petróleo e os metais básicos, nesta quinta-feira.

Embora tenha caído, desde o início do ano, o WTI acumula alta de 19%, contra 9% do Brent. Neste contexto, analistas sugerem que a expressiva valorização do petróleo americano pode prejudicar as exportações da commodity. “Aparentemente, a relativa força dos preços do WTI começa a causar preocupações acerca do impacto sobre a demanda por petróleo americano no mercado internacional”, escrevem os estrategistas Warren Patterson e Wenyu Yao, do ING.

Outro fator no radar de investidores são os estoques de petróleo bruto nos EUA. Apesar do recuo observado na semana passada, as reservas permanecem cerca de 2% acima da média em cinco anos para esta época do ano, segundo relatório publicado na quarta pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês).

É possível que os estoques cresçam no curto prazo, em razão das reservas inesperadamente altas de gasolina, como avalia o analista de commodities Carsten Fritsch, do Commerzbank. “Os estoques de gasolina costumam cair nesta época em razão da maior demanda sazonal”, explica Fritsch. “As refinarias devem responder reduzindo sua taxa de processamento, e a menor demanda resultante pode levar os estoques de petróleo bruto a subir novamente”.

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