Finanças

Petróleo fecha em baixa com indefinição da Opep+ sobre cortes e sanções

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta segunda-feira, 30, com recuo puxado pela indecisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) quanto à extensão dos cortes na produção da commodity em 2021. Circulou no mercado notícia de que a Opep+ decidiu adiar para quinta-feira a decisão sobre estender, ou não, os cortes. A informação, junto às sanções aplicadas pelos Estados Unidos à China, causou tensão entre investidores, que diminuíram suas aplicações no ativo energético.

O petróleo WTI para janeiro fechou em baixa de 0,42% (US$ 0,19), a US$ 45,34 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já o Brent para fevereiro encerrou as negociações com recuo de 0,77% (US$ 0,37) na Intercontinental Exchange (ICE), cotado a US$ 47,88 o barril.

Apesar de um bom cenário macro para o petróleo, notícias específicas envolvendo a commodity energética têm pesado sobre o preço do ativo, segundo avalia o Commerzbank. “A Opep e seus aliados foram incapazes de chegar a um acordo, pelo menos no período que antecedeu a reunião de hoje. Dito isso, o mercado de petróleo acredita firmemente que os atuais cortes de produção serão mantidos por pelo menos mais três meses. Isso significa que um aumento mais lento na produção, que é visto como uma alternativa possível, pode pesar significativamente sobre o sentimento e os preços”, diz o banco alemão, em relatório enviado à clientes.

A falta de acordo dos membros da Opep+ pela extensão dos cortes antes da reunião ocorrida hoje já deixava investidores cautelosos, sentimento que cresceu após a indecisão do grupo. Os contratos futuros de petróleo também foram prejudicados pelas sanções aplicadas pelos EUA à China National Electronics Import and Export Corporation (CEIEC), empresa estatal chinesa que teria vendido tecnologia à Venezuela.



Notícias sobre o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, que em pregões recentes impulsionaram os ativos de petróleo, não foram capazes de impedir a queda da commodity nesta segunda-feira. Hoje, a Moderna divulgou seus resultados de eficácia em testes finais, enquanto a Novavax afirmou que espera dados da fase 3 de testes de sua vacina no Reino Unido para o começo de 2021.

Apesar da cautela dos mercados vista hoje, a Capital Economics avalia que a demanda por petróleo irá crescer até o terceiro trimestre de 2021, o que deve favorecer o avanço dos ativos até lá. Entre as motivações que trabalham à favor da commodity, a consultoria cita o provável aumento das viagens em países desenvolvidos, e a perspectiva de que a Opep+ estenderá seus cortes para o ano que vem.

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