Dinheiro em Ação

Petrobras ganha US$ 9,1 bi com cessão onerosa

Petrobras ganha US$ 9,1 bi com cessão onerosa

Papéis avulsos

Depois de anos de negociação, governo e Petrobras assinaram, na terça-feira 9, a revisão do contrato de cessão onerosa da estatal. Pelo acordo, a companhia vai receber US$ 9,1 bilhões e a União terá o direito de leiloar o petróleo excedente encontrado em seis áreas do pré-sal na Bacia de Santos. A história é longa. Em 2010, a Petrobras pagou R$ 74,8 bilhões à União para poder explorar as áreas sem licitação, tendo direito a extrair até cinco bilhões de barris. Porém, a jazida pode ter até 15 bilhões de barris e, desde 2013, a estatal busca uma compensação pela diferença e pela oscilação dos preços do petróleo. Segundo a empresa de análise Levante, a decisão será benéfica para a Petrobras, que está conseguindo reduzir seu endividamento. Além da cessão, no dia 5 de abril a estatal anunciou a venda de 90% da transportadora de gás TAG por US$ 8,6 bilhões. Com isso, segundo a Levante, a dívida da companhia cairá para 1,7 vezes a geração de caixa até o fim deste ano, ante as 2,5 vezes do fim de 2018.

 

Construção

Gafisa vai aumentar capital

A incorporadora Gafisa vai aumentar seu capital por meio de uma subscrição privada. A companhia vai emitir até 71 milhões de novas ações. Pela cotação da quarta-feira 10, isso pode representar uma injeção de recursos de até R$ 543 milhões. No entanto, a empresa informou que o valor de emissão será fixado após a avaliação de uma empresa independente. A cifra vai incluir um bônus de subscrição a ser emitido. No ano, as ações recuam 54,7%.

 

Touro x Urso

A semana foi marcada pela expectativa do mercado com relação às decisões dos principais bancos centrais, anunciadas na quarta-feira 10. Mesmo mantendo os juros estáveis, o Federal Reserve indicou que eles podem subir mais se a economia dos Estados Unidos mostrar novos sinais de aquecimento. Já o Banco Central Europeu manteve estáveis as taxas na zona do euro.

 

Varejo

Rumores puxam ações da Netshoes

As ações da empresa de comércio eletrônico Netshoes têm oscilado violentamente em Nova York, subindo 18,7% na terça-feira 9 e caindo 11,2% na quarta-feira 10. O motivo são rumores não confirmados de que Magazine Luíza ou B2W poderiam comprar a companhia brasileira que abriu capital nos Estados Unidos, mas cujas ações não têm subido tanto quanto as de seus concorrentes no comércio eletrônico. As empresas não comentam o assunto.

 

Destaque no pregão

Linx em alta

Na primeira semana de abril, a empresa de tecnologia para o varejo Linx teve de negar formalmente rumores de que estaria preparando uma emissão de US$ 300 milhões em ações nos Estados Unidos. Como de costume, a companhia divulgou um fato relevante afirmando que essa é uma alternativa disponível de mercado, mas que nenhuma decisão foi tomada. Se resolver tocar o sino em Wall Street, a compania presidida por Alberto Menache provavelmente não terá dificuldades em encontrar compradores para seus papéis. As cotações avançaram 15,7% desde o início do ano, e os analistas avaliam que ainda há muito espaço para subir. Segundos relatório do BTG Pactual, a subsidiária Linx Pay, uma subadquirente que processa pagamentos, pode se transformar em uma das líderes dessa atividade no País devido à importância da empresa-mãe no varejo.

Palavra do analista:
Segundo Carlos Sequeira e Bernardo Teixeira, do BTG Pactual, a empresa pode triplicar seu faturamento até 2023. Os analistas elevaram o preço-alvo da companhia de R$ 36 para R$ 45. Na quarta-feira 10, os papéis fecharam cotados a R$ 37,73.

 

Saúde

Notre Dame compra hospital no Rio

A empresa de saúde Notre Dame Intermédica, presidida por Irlau Machado comprou, por R$ 40 milhões, o hospital Amiu, localizado em Jacarepaguá, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. A aquisição, por R$ 40 milhões, reforça o processo de expansão da companhia no estado. No ano passado, o faturamento do hospital foi de R$ 34 milhões. No ano, as ações sobem 12,7%.

 

 

Mercado em números

VALE
US$ 1,25 bilhão – É o montante que a mineradora vai receber da BSG por uma joint venture na República da Guiné desfeita por denúncias de corrupção

DIRECIONAL
R$ 1,184 bilhão – Foram as vendas líquidas da construtora no primeiro trimestre de 2019, crescimento de 51% ante igual período do ano passado

HAPVIDA
R$ 12,5 milhões – É o quanto a empresa de assistência médica pagou para adquirir a Infoway, healthtech que usa inteligência artificial para desenvolver novos produtos

GOL
79,2% – Foi a taxa de ocupação nos vôos da companhia aérea em março de 2019, alta de 0,6 ponto percentual na comparação anual

BANRISUL
49,39% – É o percentual de capital total que o Estado do Rio Grande do Sul passou a ter no banco após a venda de dois milhões de ações preferenciais classe B

 

O número da semana

5,37%

Foi a variação, nos 12 meses até março, do Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a flutuação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos. O índice geral, o IPC-BR, registrou uma alta de preços de 4,88%. A principal contribuição partiu do grupo Habitação, cuja variação passou de -0,89% no quarto trimestre de 2018 para 1,46% nos três meses findos em março. O item que mais influenciou o comportamento desta classe de despesa foi a tarifa de eletricidade residencial, que subiu 3,09% neste ano ante uma queda de -8,12% no trimestre anterior. O grupo Alimentação repetiu a taxa de variação de 3,49% registrada na última apuração. A maior alta foi dos laticínios, que subiram 1,56% ante uma queda de 6,91% no último trimestre de 2018.

 

 

Entrevista da semana

“A reforma da Previdência deve economizar até R$ 750 bilhões em dez anos”

Dan Kawa, CIO da Tag Investimentos

O sucesso da reforma da Previdência e das privatizações tende a levar as empresas a investir mais. Para isso, muitas delas devem se financiar no mercado de capitais. Assim, mesmo com as dificuldades do governo na articulação política, Dan Kawa, responsável por investimentos da consultoria Tag, recomenda a seus clientes que coloquem títulos privados de crédito em suas carteiras. Ele falou com a DINHEIRO:

Há certa complacência do mercado com o governo?
O novo governo ainda está aprendendo como lidar com o Congresso nessa relação entre Executivo e Legislativo. Não dá para dizer que os problemas são algo saudável, mas entendemos que são ruídos de curto prazo.

A falta de habilidade política coloca em risco a aprovação das reformas?
Obviamente ninguém estava satisfeito com essa relação que tínhamos até algumas semanas atrás entre Executivo e Legislativo. Não imaginava que fosse ter uma faísca tão forte. Mas já era esperado que o processo de aprovação das reformas seria longo, permeado por volatilidade.

O que precisa mudar para que a agenda liberal do governo avance?
O governo precisa estar focado na articulação política, algo que não estava ocorrendo até pouco tempo atrás, mas que parece que começou a acontecer agora.

Qual sua expectativa quanto à aprovação da reforma da Previdência?
A reforma que deve gerar uma economia de R$ 650 bilhões a R$ 750 bilhões em dez anos. Não é a proposta atual do governo, mas entendemos que o mercado vai reagir de maneira positiva.

E se não aprovar?
O País vai beirar a insolvência, com dificuldades para financiar sua dívida.

Isso pode afetar o crescimento?
Os analistas começaram o ano esperando um PIB acima de 3%. Hoje as projeções estão em 2%. Nós vemos 2% como um teto, esperamos algo como 1,7% ou 1,8%. O cenário é melhor do que no ano passado, mas não é espetacular.