Dinheiro em Ação

Petrobras estimula concorrência no mercado de gás natural

Petrobras estimula concorrência no mercado de gás natural

Papéis avulsos

A estatal presidida por Roberto Castello Branco vai vender suas participações em transportadoras e distribuidoras de gás natural. A intenção foi anunciada na segunda-feira 8, após a assinatura de um termo de compromisso com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Com a medida o governo visa estimular a concorrência atraindo novos players a um nicho de amplo domínio da estatal. O acordo prevê também a suspensão pelo órgão antitruste dos procedimentos administrativos que investigam a atuação da Petrobras no setor. A estatal deve vender a participação de 10% na Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e na Transportadora Associada de Gás (TAG), e de 51% na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG). Também serão alienadas as fatias minoritárias nas 19 distribuidoras estaduais detidas via Gaspetro, ou a participação de 51% na subsidiária.

 

Bancos

Com Previdência em alta, BB aposta no digital

Aproveitando as discussões em torno da reforma da Previdência, o Banco do Brasil tem apostado nos canais digitais para auxiliar clientes que passaram a buscar mais informações sobre o tema. As simulações de planos de aposentadoria no aplicativo do banco cresceram quase quatro vezes: de 118 mil, nos cinco primeiros meses de 2018, para 550 mil no mesmo período de 2019. Já as contratações aumentaram 40%, indo de cinco mil para sete mil. As ações do banco sobem 21,3% no ano.

 

Touro x Urso

Com o avanço da reforma da Previdência, aprovada na comissão especial da Câmara, e que seguiu para votação no plenário, os investidores voltaram a se animar. Com isso, o Ibovespa, que oscilava ao redor dos 100 mil pontos nas últimas semanas, deu uma subida até os 106 mil pontos. No acumulado de 2019, o principal índice da bolsa brasileira já acumula uma valorização próxima de 20%.

 

Seguros

Governo se mexe por oferta do IRB

A oferta secundária do IRB, com a venda das participações da União e BB, avançou com a publicação na terça-feira no DOU de circular da Susep. A norma autoriza que resseguradoras de capital aberto tenham seu controle pulverizado. Pela legislação, se não houver controlador com mais de 50% do capital votante, o grupo de controle deve apresentar acordo de acionistas à Susep. As ações do IRB sobem 16,8% no ano.

 

Destaque no pregão

Tecnisa pode captar até R$ 411 milhões com oferta

O conselho de administração da Tecnisa aprovou na sexta-feira 5 a realização de uma oferta pública de distribuição primária com esforços restritos de ações ordinárias. Serão oferecidas aos investidores 300 milhões de ações. Com base no fechamento do dia 5, em R$ 1,37, a incorporadora pode levantar aproximadamente R$ 411 milhões com a operação. A quantia poderá ser acrescida em até 35% (ou 105 milhões de ações) caso haja demanda pelo lote adicional. Cerca de 50% dos recursos serão utilizados para adquirir terrenos, melhorar a estrutura de capital e reforçar o capital de giro. Os analistas da Mirae Asset, Fernando Bresciani e Pedro Galdi, acreditam que a empresa deve encontrar um mercado mais favorável a partir do quarto trimestre, com a expectativa de recuperação da economia e um cenário mais favorável para novos lançamentos. As ações da Tecnisa sobem 22,8% em 2019.

Palavra do analista:
A oferta num primeiro momento é uma notícia negativa, pois trará diluição para os atuais acionistas, escrevem os analistas da Mirae Asset. “Já num segundo momento a operação deve trazer um impacto positivo por contribuir no fortalecimento do caixa da empresa”.

 

Mineração

Justiça condena Vale por Brumadinho

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em decisão proferida na terça-feira 9, condenou a Vale a reparar os danos decorrentes do rompimento da barragem do Córrego do Feijão. Foi mantido o bloqueio de R$ 11 bilhões. Entretanto, houve autorização para substituir R$ 5 bilhões do total por outras garantias financeiras, como fiança bancária e seguro garantia. As ações da mineradora recuam 0,1% em 2019.

 

 

Mercado em números

BR PROPERTIES
R$ 184,8 milhões – É o valor que a incorporadora embolsou com a venda para fundo imobiliário do UBS de 70% de um imóvel comercial na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro

AES TIETÊ
R$ 57,9 milhões – Foi o montante aprovado para o aumento de capital mediante a capitalização parcial da reserva especial de ágio. Serão emitidas 28 milhões de novas ações ao preço unitário de R$ 2,06, o equivalente a um aumento de 0,6% na quantidade total de ações

NEOENERGIA
32,86% – É a participação que o fundo de pensão Previ passou a deter na companhia, uma queda de 5,35%, após a venda de 64,9 milhões de ações ordinárias na oferta pública de distribuição secundária

TRIUNFO
25,77% – Será a redução nas tarifas de pedágio das três praças da Econorte, na região de Londrina, no Paraná, após intimação judicial determinando a medida

GOL
24% – É o aumento na receita unitária por passageiro esperada para o segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado

 

Número da semana

86,6

Foi o resultado do Indicador Antecedente de Emprego de junho, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), uma alta de 0,8 ponto em relação a maio. Esse indicador mede as expectativas dos consumidores em relação ao emprego nos seis meses após a realização da pesquisa e mostra qual a percepção em relação ao mercado de trabalho. No entanto, a melhora foi percebida apenas no curto prazo. Na média móvel trimestral, que calcula o resultado de três meses, houve uma queda de 2,3, totalizando 88,3 pontos. Na média fixa do segundo trimestre, a queda foi ainda maior. O índice registrou uma baixa de 9,6 pontos em relação ao primeiro trimestre do ano, refletindo a deterioração das expectativas desde o início de 2019. A alta de junho foi provocada por uma melhora na percepção da contratação pelas empresas de serviços.

 

 

Entrevista da semana

“Os fundos imobiliários se inserem no mercado de renda variável, só que têm uma volatilidade menor que as ações”

André Freitas, sócio controlador da Hedge Investments

O mercado imobiliário é um dos mais beneficiados pelos juros baixos. Os investidores buscam alternativas mais rentáveis que a renda fixa e menos arriscadas que as ações. O crescimento na procura por produtos do tipo é claro. Em meados de 2018 eram cerca de 150 mil investidores com aplicações em fundos imobiliários. Esse número saltou para 340 mil. Com isso, o volume médio diário negociado no segmento cresceu 52,1%, de R$ 46 milhões em 2018 para R$ 70 milhões. De olho na migração de aplicadores oriundos da renda fixa, a Hedge Investments, gestora focada em fundos imobiliários, acaba de captar R$ 237,5 milhões.

Por que os fundos imobiliários têm atraído tanto interesse dos investidores?
Eles perceberam que os juros baixos vieram para ficar e começaram a migrar de maneira mais intensa para a renda variável. E os fundos imobiliários se inserem no mercado de renda variável, só que eles têm uma volatilidade menor que as ações.

Por que isso ocorre?
Porque a participação dos estrangeiros é de apenas 0,32% nos fundos imobiliários, enquanto nas ações é de aproximadamente 20%. Por isso o cenário internacional, e o consequente fluxo dos estrangeiros acabam mexendo muito mais com os preços das ações do que com os dos fundos imobiliários.

Dentro do setor imobiliário, qual segmento mais o atrai?
Gostamos dos shoppings centers. A vacância e a inadimplência têm dado sinais de queda. Além disso, eles conseguem apresentar uma recuperação em uma velocidade maior em comparação com outros nichos, como o de logística, o corporativo ou mesmo o residencial.