Dinheiro em Ação

Petrobras avança na cobrança da cessão onerosa

Petrobras avança na cobrança da cessão onerosa

Papéis avulsos

A Petrobras está mais perto de receber cerca de US$ 9,1 bilhões (R$ 36,7 bilhões) da União. Em 2010, a petroleira pagou R$ 74,8 bilhões ao governo federal para comprar o direito de explorar até 5 bilhões de barris de petróleo das jazidas do pré-sal por 40 anos. A queda nos preços do petróleo levou a Petrobras a renegociar os termos do contrato, por ter pago muito caro. A renegociação começou em 2013, mas só na terça-feira 21 o Conselho de Administração aprovou a assinatura de um aditivo ao contrato de cessão, garantindo que a União vai pagar os R$ 36,7 bilhões. “Tal aprovação, contudo, está condicionada à solução orçamentária para o pagamento da União à Petrobras”, diz o fato relevante divulgado pela estatal. Também no dia 21, a petroleira informou que vai pagar R$ 20,9 bilhões para exercer o direito de preferência de explorar 30% das jazidas de Búzios e de Itapu excedentes ao contrato de cessão onerosa.

 

Telecom

Oi vende Cabo Verde Telecom

A empresa de telefonia Oi vendeu, por US$ 26,3 milhões, sua participação de 40% na Cabo Verde Telecom. Os compradores foram o Instituto Nacional de Previdência Social e a Empresa Nacional de Aeroportos e Segurança Aérea, ambos de Cabo Verde. A Oi investia na companhia cabo-verdiana por meio de sua subsidiária PT Ventures, que estava em litígio com o governo do país. Com a venda, a briga foi encerrada. No ano, as ações da Oi, em recuperação judicial, sobem 16%.

 

Touro x Urso

A semana foi marcada por forte volatilidade. Na sexta-feira 17, o temor do mercado de uma deterioração na negociação da reforma da Previdência fez o Índice Bovespa fechar abaixo de 90 mil pontos pela primeira vez no ano. No entanto, a conjugação entre ações baratas e um dólar acima de R$ 4,10 aguçou o apetite dos investidores e fez o principal indicador do mercado recuperar as perdas.

 

Energia

CPFL inicia reestruturação das controladas

A CPFL Energia iniciou a reestruturação de suas controladas e coligadas. O primeiro passo foi um acordo com a sua controladora, a chinesa State Grid. Os chineses vão vender o controle da CPFL Energias Renováveis para a CPFL Energia. Cada ação será vendida por R$ 16,85, valor pago na OPA de novembro de 2018. A transação visa obter sinergias e pode ser seguida por novas transações. As ações da CPFL Energia sobem 5,7% no ano.

 

Destaque no pregão

BRF que fazer mais negócios nas Arábias

A BRF esta buscando um sócio que lhe permita acessar o mercado de frango da Arábia Saudita. Para isso, a empresa estaria disposta a vender uma participação minoritária nos negócios que possui no Oriente Médio, como a fábrica de alimentos em Abu Dhabi ou as operações de distribuição na região. Nos últimos anos, para estimular a produção local, o governo saudita adotou uma série de medidas que dificultaram a exportação de carne brasileira. Daí a necessidade de a BRF buscar um parceiro local para produzir frango, evitando perder mercados na região. Enquanto tenta manter seus mercados no Oriente Médio, a empresa vem sendo beneficiada pela gripe suína, que derrubou a produção chinesa de carne de porco e elevou os preços do produto no mercado internacional. Com isso, as ações da BRF sobem 37% no acumulado de 2019. Procurada, a BRF não comentou.

Palavra do analista:
Segundo os analistas da Guide, a iniciativa da BRF é positiva, pois pode auxiliar a empresa na redução de seu endividamento. “No curto prazo, estamos monitorando os impactos da gripe suína, que continuam melhorando as margens da BRF”, escreveram eles.

 

Saúde

Notre Dame terá restrições na compra da Mediplan

O Cade aprovou, na quarta-feira 22, com restrições, a aquisição do controle da Mediplan Assistencial pela Notre Dame Intermédica. Entre as obrigações previstas, as partes concordaram em não discriminar planos de saúde de outras operadoras nos hospitais da rede, bem como manter o credenciamento dos hospitais concorrentes. No acumulado de 2019, as ações da Intermédica sobem 33,4%.

 

 

Mercado em números

SINQUIA
R$ 32 milhões – Foi o montante que a empresa de tecnologia para o sistema financeiro pagou para adquirir a Softpar, que desenvolve softwares para bancos, financeiras e agência de fomento

STARA
R$ 50 milhões – É quanto a empresa de implementos agrícolas pretende captar por meio de empréstimos bancários. Desse total, R$ 25 milhões já foram captados junto ao Santander Brasil

BANCO DO BRASIL
R$ 0,414839 – É o novo valor dos Juros Sobre Capital Próprio (JCP) complementar, referente ao primeiro trimestre deste ano, que serão pagos pelo banco para cada ação

RANDON
20,8% – Foi o crescimento da receita líquida da empresa de transporte de cargas, de janeiro a abril de 2019, na comparação com igual período do ano passado, que totalizou R$ 1,55 bilhão

TRIUNFO
-3,1% – Foi a queda registrada pela empresa nas rodovias sob sua administração, de janeiro a abril de 2019, na comparação com o mesmo período do ano anterior, influenciada pela suspensão da cobrança de pedágio em Jacarezinho (PR)

 

Número da semana

8,3%

Foi a alta no índice de pedidos de falência em abril, segundo a Serasa Experian. Foram requeridas 131 falências no mês passado, ante 121 requisições em abril de 2018. O número de falências decretadas cresceu mais. Foram 89 falências em abril, ante 78 em abril de 2018, alta de 14,1%. Nos quatro primeiros meses do ano, não houve alteração: tanto em 2018 quanto em 2019 foram 417 pedidos. Mas o número total de falências decretadas caiu 17,3%, de 312 em 2018 para 258 em 2019. Já o número de pedidos de recuperação judicial recuou 6,8% em abril, caindo de 133 para 124. As recuperações decretadas caíram 23,6%, de 127 para 97. “Enquanto a retomada da economia não ganhar consistência, veremos movimentos em direções opostas nas falências e nas recuperações judiciais”, diz Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

 

 

Entrevista da semana

“A bolsa já caiu bastante e faz sentido investir um pouco nela pelo crescimento que pode vir no ano que vem”

Marco Mecchi , sócio-fundador e CIO da MZK Investimentos

O gestor da MZK Investimentos, Marco Mecchi, ficou por onze anos à frente da mesa de trading do HSBC, cargo que manteve por mais um ano após a compra da operação do banco britânico no País pelo Bradesco. Desde que se iniciaram as discussões sobre a venda do HSBC no Brasil, no entanto, Mecchi e outros colegas começaram a vislumbrar a possibilidade de criar uma gestora própria. Com o PDV aberto pelo Bradesco em julho de 2017, eles resolveram deixar o banco da Cidade de Deus, em Osasco, e criar a MZK, que foi batizada com as inicias dos principais sócios – além de Mecchi, Danilo Macari, Gustavo Menezes, Ronaldo Zanin e André Kitahara. Fundada em meados de 2018, a gestora focada em fundos multimercados tem atualmente cerca de R$ 280 milhões em ativos sob gestão. Mecchi conversou com a DINHEIRO.

Como a MZK tem se posicionado no mercado?
Gostamos de ativos pré-fixados na curva de juros. Entendemos que a curva ainda está inclinada e tem espaço para cair nos próximos meses. Como a inflação está muito comportada diante do crescimento fraco, não enxergamos risco de alta dos juros pelo Banco Central. Pelo contrário, entendemos que o risco, embora pequeno, seja de queda da Selic.

E a bolsa? Após a realização recente surgiu um bom ponto de entrada?
A bolsa já caiu bastante desde as máximas e faz sentido investir um pouco nela pelo crescimento que pode vir no ano que vem.
O desempenho da economia em 2019 deve ser fraco, mas passando as reformas, como a da previdência e a tributária, além das privatizações, a expectativa é de retomada dos investimentos para 2020.

Quais ativos vocês têm evitado?
O câmbio. Após a queda dos juros a taxa de carregamento do Real em relação ao dólar ficou muito pequena, e a volatilidade nesse segmento do mercado está bastante elevada.