Agronegócio

Petrobras aposta em combustíveis mais ‘limpos’ após perder mercado para biocombustíveis

Petrobras aposta em combustíveis mais ‘limpos’ após perder mercado para biocombustíveis

Refinaria da Petrobras em Canoas (RS)

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Petrobras busca mais qualidade para seus combustíveis, com menos emissões, após observar nos últimos anos perda de mercado nas vendas de gasolina e diesel produzidos em suas refinarias para combustíveis renováveis, disseram executivos nesta sexta-feira.

As afirmações vieram em um momento em que tem havido pressão de determinados setores brasileiros para reduzir as misturas obrigatórias de biocombustíveis nos combustíveis fósseis vendidos nos postos, com alguns agentes citando altos custos.

Durante conferência com analistas e investidores, o diretor executivo de Comercialização e Logística, Cláudio Mastella, afirmou que o mercado de gasolina brasileiro, de 2016 para cá, sofreu uma redução significativa, cerca de 17%, “principalmente pela competição com etanol”.

“As nossas vendas, por outro lado, também sofreram redução e, além dessa questão, a gente também teve redução do ‘market share’ no período”, disse o executivo, ao ser questionado sobre como a empresa vê o mercado de derivados no país e como avalia a necessidade de construir novas refinarias.

Sobre o diesel, Mastella afirmou que o mercado se manteve “praticamente” estável. No entanto, a Petrobras perdeu espaço.

“Para a Petrobras, a gente teve uma pequena redução por conta de aumento da participação de biodiesel no diesel, ou seja, na prática nossas vendas de diesel A sofreram redução por conta disso”, afirmou, destacando que o nível de competição com importações também “cresceu significativamente”.

Em seguida, o diretor-executivo de refino e gás natural, Rodrigo Silva, ressaltou que o plano de negócios da empresa prevê investimentos para ampliar a produção de diesel com menor teor de enxofre, lubrificantes avançados e também para trabalhar na rota de produtos com conteúdos renováveis.

A empresa aguarda aval do governo para iniciar produção do chamado “diesel verde”, fabricado por meio do coprocessamento de diesel e óleos vegetais ou gorduras animais.

“A gente vê demanda de mercado voltada para produtos de maior qualidade e baixas emissões e também espaço para linhas de produtos de maior valor agregado”, afirmou Silva.

A petroleira estatal busca atualmente compradores para metade de seu parque de refino, enquanto quer manter sob sua gestão as refinarias do Rio de Janeiro e de São Paulo, mais próximas da produção do pré-sal, onde foca seus investimentos.

Nesta sexta-feira, a federação de postos de combustíveis no Brasil pediu ao governo federal para reduzir a quantidade de etanol necessária para ser misturada à gasolina, dizendo que uma produção menor reduziu o fornecimento do biocombustível e aumentou os preços.

Também nesta semana, o governo decidiu manter reduzida a 10% mistura obrigatória de biodiesel no diesel em julho e agosto, devido a altos preços do óleo de soja, que responde por mais de 70% da matéria-prima do biodiesel, em momento em que a indústria do biocombustível enfrenta críticas sobre a qualidade.

A mistura já havia sido reduzida para maio e junho anteriormente, ampliando a parcela do diesel fóssil no mercado.

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