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Pesquisa revela como empresas de tecnologia coletam e usam dados de crianças

O estudo calcula que ao completar 18 anos, a criança pode ter um volume de informações na internet de até 70 mil postagens

Pesquisa revela como empresas de tecnologia coletam e usam dados de crianças

A crença de que as crianças que atualmente nasceram na internet nunca fez tanto sentindo, e isso é preocupante para o futuro deles. É o que diz a pesquisa Who KnowsWhat About Me? da Comissária Infantil da Inglaterra, Anne Longfield, que alerta para os perigos da superexposição precoce compilando diversas maneiras que empresas de tecnologia reúnem informações sobre crianças para criar um perfil virtual da pessoa.

O estudo calcula que ao completar 18 anos, a criança pode ter um volume de informações na internet de até 70 mil postagens. Ela diz também que grande parte do problema vem dos pais, em ação chamada sharenting (mistura das palavras em inglês para pais e compartilhamento).

Segundo o banco Barclays, será responsável por dois terços do volume de fraudes de identidade enfrentada por jovens com mais de 18 anos até 2030. Especialistas citados mostram que esse tipo de hábito abre possibilidades para o roubo de identidade, como relatórios criminais em que dados que estavam escondidos até crianças completarem 18 anos foram usados em pedidos fraudulentos de cartões de crédito e empréstimos.

Além da questão dos pais, a pesquisa revela a necessidade de cuidado ao lidar com aparelhos conectados, especialmente aqueles da internet das coisas já que esses aparelhos podem coletar dados sobre as crianças. Ela ainda recomenda que governos pressionem grandes empresas de tecnologia para promover a segurança das informações de seus usuários.

O estudo traz o caso do aplicativo Dojo, que na Inglaterra é usado por mais de 70% das escolas. Nele os professores dão notas e bom ou mal comportamento aos alunos, além de funcionar como um canal de comunicação direta com os pais para fotos e mensagens. Os defensores do app defendem que ele é uma maneira de deixar a classe de aula mais leve, encorajando alunos dispersos a realizar atividades de classe.

Apesar de não precisar compartilhar informações sensíveis nele – é possível usar apelidos para os alunos – professores colocam os dados mesmo assim. Além disso, o material coletados no aplicativo é dividido com outras 31 empresas cujas políticas de privacidades são variadas. Nesse caso, um vazamento de alguma destas 31 companhias pode comprometer dados de quase três quartos das crianças escolarizadas do Reino Unidos.

Dessa maneira, Anne encoraja pais e deixarem de compartilhar informações de seus filhos na rede, e alerta que no futuro, as informações podem afetar tentativas de entrar na faculdade, ou mesmo a capacidade de realizar um seguro. Apesar dos avisos, ainda não se sabe ao certo a extensão dos problemas de superexposição precoce na internet.