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Pesquisa diz que rio Tietê tem 150 km de água imprópria para uso

O trecho morto do Tietê, maior rio do estado de São Paulo, ficou em 150 quilômetros (km) neste ano, deixando a água imprópria para uso e inadequada para a vida aquática nessa extensão. No ano passado, o trecho morto – que inclui qualidade ruim ou péssima – alcançou a marca de 163 km. A menor mancha de poluição já registrada na série histórica do levantamento ocorreu em 2014, quando a extensão do trecho considerado morto foi de 71 km.

Os dados são do relatório Observando o Tietê 2020 – O retrato da qualidade da água e a evolução dos indicadores de impacto do Projeto Tietê, da Fundação SOS Mata Atlântica, lançado hoje (22), no Dia do Tietê.

“É urgente promover a requalificação ambiental das bacias hidrográficas paulistas, com envolvimento de todos os usuários e governos, com ações que começam pela recuperação e a proteção de corpos d’agua urbanos e rurais e que formam a vasta rede de drenagem das bacias hidrográficas da Mata Atlântica”, disse Malu Ribeiro, gerente da Fundação SOS Mata Atlântica.

Neste ano, a qualidade de água ruim ficou dividida em dois trechos – diferente das manchas anteriores que eram contínuas. Os 150 km equivalem a 26,05% da extensão do rio monitorada pelo estudo. 

Trecho monitorado

Por outro lado, a condição de água boa e regular – o que permite vida aquática, abastecimento público, produção de alimentos, atividades de lazer e esportivas – foi encontrada em 382 km do rio, o que representa 66,32% do trecho monitorado.

O estudo abrange, desde 2010, 576 km do rio Tietê, desde o município de Salesópolis, na sua nascente, até a jusante da eclusa de Barra Bonita, na Hidrovia Tietê-Paraná. O Tietê corta o estado por 1.100 km, desde sua nascente até a foz no Rio Paraná, no município de Itapura. No entanto, para o relatório deste ano, não foi possível analisar 44 km (7,63%) do trecho historicamente monitorado devido às dificuldades impostas pela pandemia.

Esse trecho de 44 km, compreendido entre os municípios de São Paulo e Barueri, a partir da ponte da Rodovia Anhanguera, é bastante poluído e apresenta pouca variação na condição de qualidade da água nas séries históricas de monitoramento, segundo a SOS Mata Atlântica.

“Se fosse considerado com qualidade de água ruim, com base nos indicadores aferidos na Ponte das Bandeiras, até o subsequente em Santana de Parnaíba, a mancha de rio considerado poluído e em condições impróprias atingiria 194 km, ficando maior que no período anterior, de setembro de 2018 a agosto de 2019, quando estava contida, de forma contínua, em 163 km”, avaliou a fundação.

A entidade realizou a coleta em 83 pontos – distribuídos em 47 rios de 38 municípios -, seis (7,2%) mantiveram qualidade de água boa de forma perene, 55 (66,3%) regular, 21 (25,3%) ruim e 1 (1,2%) péssimo. Nenhum ponto registrou qualidade de água ótima. 

Não houve registro de trechos com qualidade de água péssima ao longo do rio Tietê, apenas em um de seus afluentes, o Córrego José Gladiador, na cidade de São Paulo. Os pontos analisados estão distribuídos nas bacias hidrográficas do Alto Tietê, Médio Tietê, Sorocaba e Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

Acesso à água

A SOS Mata Atlântica incluiu no relatório o manifesto Desenvolvimento para Sempre, em que pede por água limpa para todos, destacando a necessidade de proteção e recuperação dos rios, córregos e nascentes; implantação do Plano Municipal de Saneamento e de parques lineares para a conservação de córregos urbanos; integração dos municípios ao Comitê de Bacias Hidrográficas, com garantia efetiva de representação dos setores da sociedade; e a criação de áreas de proteção de mananciais e conservação hídrica.

“A sazonalidade intensa decorrente dos eventos climáticos extremos reforça a necessidade de atenção maior dos gestores públicos e da sociedade para as ações voltadas à segurança hídrica“, disse Malu. 

Segundo ela, a melhora da qualidade da água e a proteção dos mananciais não dependem apenas dos necessários e urgentes investimentos em saneamento básico, mas também da gestão integrada das políticas públicas de meio ambiente e recursos hídricos.

A fundação avalia ainda que a exclusão social do acesso à água limpa devido à falta de saneamento básico e moradia também emergiram de forma mais evidente com o efeito da pandemia e precisam ser motivo de atenção das autoridades.

“Pesquisas científicas constataram a presença do RNA (molécula responsável pela síntese de proteínas das células) de covid-19 na água dos esgotos domésticos. Isso não significa risco de contaminação, uma vez que essa doença não é de veiculação hídrica, mas reforça a importância de reconhecer como os rios são espelhos da saúde das populações, do ambiente e dos ecossistemas”, informou a entidade.

 

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