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Pequim e Moscou rejeitam em uníssono cúpula de Biden pela democracia

Pequim e Moscou rejeitam em uníssono cúpula de Biden pela democracia

Cúpula virtual entre Joe Biden e o presidente chinês Xi Jinping fotografada na Casa Branca, em Washington, em 15 de novembro de 2021 - AFP

Em uma incomum declaração conjunta, os embaixadores da China e da Rússia em Washington criticaram a exclusão de seus países da cúpula virtual sobre democracia que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, organizará em dezembro.



Que os Estados Unidos se permitam definir “quem é um ‘país democrático’ e quem não tem esse status” é produto de uma “mentalidade da Guerra Fria”, escrevem Anatoli Antonov e Qin Gang na revista conservadora National Interest. “Isso reacenderá o confronto ideológico e as divisões globais e criará novas linhas divisórias.”

A cúpula, marcada para 9 e 10 de dezembro, visa cumprir a promessa de campanha de Biden de promover a democracia global, em um momento em que governos autocráticos estão em ascensão.

Mas quando o Departamento de Estado divulgou na terça-feira a lista dos cerca de 110 países convidados, Rússia e China reagiram furiosamente ao se verem excluídos. Pequim também destacou sua rejeição ao convite à Taiwan, território sobre o qual reivindica soberania.

A democracia “pode ser entendida de várias maneiras e nenhum modelo pode se adequar a todos os países”, escreveram os embaixadores chinês e russo. “Nenhum país tem o direito de julgar a vasta e variada paisagem política do mundo com um único critério.”

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O artigo afirma que a China comunista tem “uma ampla democracia socialista”, que “se adapta às realidades do país e conta com forte apoio do povo”, enquanto a Rússia – onde o presidente Vladimir Putin assinou em abril uma lei que pode permitir sua permanência no poder até 2036 – é descrita como um “Estado federativo democrático com uma forma republicana de governo” com tradições parlamentares centenárias.

Sem nomear os Estados Unidos, os embaixadores disseram que as guerras e conflitos em nome da democracia “minam seriamente a paz, a segurança e a estabilidade regionais e internacionais”.

“Os países devem se concentrar em administrar bem seus próprios assuntos, não em criticar os demais com condescendência”, acrescentaram, defendendo o respeito mútuo e a cooperação entre as nações.

Entre os países convidados para a cúpula virtual, há alguns nos quais a democracia parece frágil, sofreu retrocessos ou nos quais emergiram tendências autocráticas. Brasil, Índia e Paquistão foram convocados, mas não Hungria ou Turquia, membro da Otan.


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