Negócios

Pensa fora da caixa

Companhia criada em 1973, para atender a demandas de seguros do banco estatal, diversifica seus negócios para evitar dependência do contrato, que será licitado a partir do ano que vem.

Crédito: Wenderson Araujo

Heverton peixoto: Presidente da Wiz lidera mudanças implementadas na companhia, desde a entrada na Bolsa; troca de gestores, automação e novo logo são algumas das alterações. (Crédito: Wenderson Araujo)


Distribuidora de seguros e produtos financeiros, a Wiz fechou 2019 com os melhores resultados em seus 46 anos de história. Fruto, segundo a empresa, da modernização e governança aplicadas desde 2015, quando entrou na Bolsa de Valores. A companhia nasceu e cresceu à sombra da Caixa, banco estatal que detém, por meio da subsidiária Caixa Seguros, 25% da Wiz. Para continuar a crescer, no entanto, a empresa precisará, literalmente – e com o perdão do trocadilho –, pensar fora da Caixa. Isso porque o atual acordo entre a companhia e o banco vence em 2021 e sofrerá mudanças.

Está prevista pela Caixa a abertura de uma concorrência para gerir a venda, dar suporte às agências e atuar no pós-venda dos seguros. A Wiz está no páreo, mas pode perder espaço para concorrentes, embora queira continuar a parceria com a instituição financeira. Sem dívidas e com R$ 100 milhões nos cofres, a empresa planeja intensificar aquisições, uma estratégia de desenvolvimento iniciada no ano passado. “Devemos estar bem posicionados para continuar sendo o maior parceiro. Vamos entrar com tudo nesse ‘bid’ (concorrência)”, afirma o presidente da Wiz, Heverton Peixoto.

A Caixa Seguridade, que detém a Caixa Seguros, está em fase de formatação de uma proposta para colocar futuramente uma licitação na rua. Ao abrir a concorrência, outros players entram na briga para gerir os seguros do banco. Em jogo, está um comissionamento que atualmente gira em torno de 55%, mas que deve sofrer drástica queda no futuro contrato. Mas a Wiz não está preocupada com isso. “Temos a melhor proposta”, garante Peixoto. A elevada confiança do executivo decorre do fato de ter um time estruturado dentro de agências da Caixa em 410 municípios brasileiros, com mais de 1 mil profissionais. A companhia é responsável por 70% das vendas de seguros habitacionais, além de toda a parte de renovação, rede operacional e integração de processos tecnológicos.

A abertura para outras companhias mostrarem suas habilidades visa a tornar a parceria com a Caixa Seguridade mais rentável para o braço da estatal. Em 2019, a empresa acumulou R$ 1,7 bilhão de lucro líquido recorrente, crescimento de 19,5% em relação a 2018. No segmento de seguros (excluídos os de saúde e odontológicos), o faturamento foi 13,3% maior na comparação ano a ano, com destaque para os seguros prestamista (que cresceu 26%), de vida (+11,6%) e habitacional (+15,3%). Segundo Peixoto, a Wiz tem trabalhado outras ferramentas que estão incubadas ou em desenvolvimento para que, quando forem colocadas em prática, permitam à Caixa dobrar as operações de seguros em um período de 3 a 5 anos. “Teremos forte impacto”, diz o executivo.

PARCERIA HISTÓRICA: A Caixa Seguridade possui 25% da Wiz, presente em agências do banco em 410 cidades, com uma equipe de mais de 1 mil funcionários que atuam nas áreas de vendas, renovação, rede operacional e integração de processos. (Crédito:Divulgação)

REFORMULAÇÃO Enquanto a concorrência pública não é efetivada e o contrato está mantido até 2021, a Wiz concentra esforços para depender menos desse acordo. E comemora os resultados. Em 2019, a empresa faturou R$ 763,7 milhões, alta de 16,5% em relação a 2018, com margem Ebitda de 58%. O lucro líquido saltou 21,3%, ao atingir R$ 223,7 milhões. Os números se consolidam após trabalho de automação e atualização de processos da companhia. Desde os espaços físicos, passando pela logomarca, até o mindset da corporação. Todo o time de gestão foi trocado por profissionais jovens e visionários.

Também houve alterações na forma de distribuir a rentabilidade. A tradição de pagar muitos dividendos aos acionistas deu lugar à política de investir os lucros em aquisições. “Isso tem empurrado nossa empresa para frente”, destaca Peixoto, ao afirmar que nos últimos 12 meses as ações da Wiz tiveram valorização de 140%. O valor de mercado passou de R$ 1,2 bilhão, em 2018, para R$ 2,2 bilhões, em 2019, crescimento de 95%. Para atingir esses números, o plano foi criar novos modelos de negócios internos e buscar no mercado empresas com perfil para ampliar a gama de produtos da companhia. Nasceu, então, a Wiz Conseg, unidade focada na distribuição de seguros e produtos financeiros no segmento de concessionárias de automóveis. Um movimento que originou da aquisição de 76% da Barigui Corretora, que atua na comercialização de seguros de autos e prestamista do Grupo Barigui, um dos maiores distribuidores de veículos multimarcas do Brasil e maior revendedor de seminovos do Sul do País.

A Wiz adquiriu, ainda, 40% do capital da Inter Seguros (holding de seguridade do Banco Inter), 80% da GR1D Finance (que opera em plataformas de integrações entre softwares), além de fechar acordo com a Galápagos Capital, para distribuir e comercializar crédito na linha Home Equity, em que o tomador oferece seu imóvel como garantia. Para 2020, a intenção é continuar a todo o vapor. “Vamos olhar com carinho as aquisições de outorga para exploração de créditos e de seguros, aliados a instituições financeiras ou empresas da cadeia de imóveis”, diz o presidente da companhia, que promete novidades já para os próximos 2 meses. “Estamos muito otimistas e agressivos.”