Estilo

Pendurando o paletó

Com o isolamento social, terno e gravata deixaram de ser o figurino oficial dos executivos. Há quem já nem pense em tirá-los do armário. Mas o traje social também precisa de cuidados para sobreviver.

Crédito: Divulgação

A DICA DO ESTILISTA Para Ricardo Almeida, os ternos não devem ser esquecidos e sim guardados em local seco e arejado. (Crédito: Divulgação)

A pandemia inaugurou uma fase em que home office e reuniões por videoconferência passaram a fazer parte do já aborrecido “novo normal”. Profissionais que passavam o dia no escritório, visitando clientes ou em reuniões externas, agora despendem seus dias trabalhando no próprio lar. Com isso, mudou também o dress code. Para todos. Especialmente, para quem precisava usar terno e gravata. Nesse contexto, surge uma preocupação: como cuidar dessas peças nos dias atuais, em que elas têm ficado muito mais tempo dentro de armários e guarda-roupas? E uma preocupação inédita com a higienização que esse tipo de roupa exige quando é usada.

Essas questões têm ocupado a mente de empresários e executivos das mais diversas áreas. Sócio da Lean IT, empresa especializada em consultoria e treinamentos, com sede em São Paulo, Rodrigo Aquino é um deles. Acostumado a usar ternos e paletós “quase todos os dias”, ele passou a adotar uma prática simples e eficiente, seguindo recomendações de autoridades da saúde. “Uma vez por semana, coloco alguns ternos na sacada, para que tomem um pouco de sol e vento”, disse Aquino. Mas ele sabe que isso é apenas o básico. Para se proteger do coronavírus e manter a qualidade das roupas sociais, Aquino decidiu comprar um equipamento que passa e lava as peças a seco. “Será um excelente investimento nesses dias de pandemia”.

Com o cargo de CSO da companhia de tecnologia Depp Center, o executivo Maurício Tinoco ainda não pensa em adquirir algo do tipo, mas também sentiu os efeitos da pandemia sobre seus ternos. Antes da Covid-19, Tinoco costumava usar um conjunto para cada dia da semana. Durante a pandemia, chegou a ficar 90 dias sem vesti-los. “Foi a primeira vez, nos últimos 20 anos, que passei tanto tempo sem usar terno”, afirmou. Agora, com a reabertura gradual de algumas empresas, Tinoco voltou a participar de reuniões presenciais e a fazer visitas a clientes em São Paulo, onde fica a empresa.  “Não está como antes,  mas já estou usando os ternos duas vezes por semana”. Ao chegar em casa, deixa as peças por dois dias tomando sol na varanda. “E orientei nossa secretária a escovar e passar os ternos a ferro antes de guardá-los”. A recomendação está de acordo com estudos científicos, segundo os quais as altas temperatura otimizam a higienização e ajudam a combater o coronavírus.

ELES GOSTAM DE PASSEAR Cada um à sua maneira, quem usa terno tem encontrado a melhor forma de cuidar das roupas durante a pandemia. É pouco provável, porém, que algum executivo utilize estratégia tão curiosa quanto a do advogado Jamerson Marra, sócio do escritório Ferreira & Marra, em Belo Horizonte. Com treze ternos no guarda-roupas, ele gosta tanto das peças que as trata com carinho admirável, como se fossem pets. “Os ternos precisam respirar. Não posso deixá-los confinados”, disse. “Tenho peças de R$ 15 mil. Elas merecem ser bem cuidadas”. Além de lavar a seco os ternos e de mandar passá-los logo após o uso, a solução que Marra encontrou foi usá-los mesmo sem necessidade, como em reuniões por video-conferência. “O pessoal do escritório tira onda quando eu apareço de terno em pleno home-office. Mas quero usar minhas roupas e sei que é bom tirá-las do armário”. Ele já chegou ao ponto de vestir as peças apenas para dar uma volta na rua. “Como nós, os ternos gostam de passear. Faz bem a eles”.

ELEGÂNCIA NAS LIVES O advogado Jamerson Marra gosta tanto de vestir ternos que não os dispensa nem quando aparece em videoconferência. (Crédito:Divulgação)

Um dos nomes mais respeitados do universo da moda no Brasil, o estilista e empresário Ricardo Almeida reforça a importância de todas as recomendações das autoridades de saúde, mas dá dicas específicas em relação ao armazenamento dos ternos. Com ou sem pandemia. “Independentemente do período que estamos vivendo, é essencial armazenar as peças da forma adequada, para garantir boa conservação. Principalmente se o terno é feito a partir de fibras naturais, de origem animal ou vegetal”, afirmou. Segundo Ricardo Almeida, o local de armazenamento deve ser seco e arejado, prevenindo o desenvolvimento de bactérias. “É importante evitar guardar os ternos dentro de capas plásticas, como as de lavanderia, pois prejudicam a qualidade do tecido, já que o plástico pode sufocá-lo”. Com essas dicas e seguindo as orientações médicas, seus ternos estarão sempre bem-cuidados e sua saúde, protegida.

Veja também

+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos

+Conheça os 42 anos de história da picape Mitsubishi L200

+ Remédio barato acelera recuperação de pacientes com covid-19

+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil

+ Avaliação: Chevrolet S10 2021 evoluiu mais do que parece

+ Grosseria de jurados do MasterChef Brasil é alvo de críticas

+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados

+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020

+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea

+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?