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Pelo menos 70 mortos em bombardeio de prisão controlada por rebeldes iemenitas

Pelo menos 70 mortos em bombardeio de prisão controlada por rebeldes iemenitas

Esta imagem capturada de um vídeo divulgado pelo Ansarullah Media center em 21 de janeiro de 2022 mostra as consequências de um ataque noturno da coalizão liderada pela Arábia Saudita em um centro de telecomunicações na cidade portuária de Hodeidah, no Iêmen, que desencadeou um apagão nacional na Internet - Ansarullah media center/AFP

Pelo menos 70 pessoas foram mortas ou feridas em um ataque a uma prisão em uma área controlada por rebeldes no Iêmen, disseram equipes de resgate nesta sexta-feira(21), após uma série de bombardeios noturnos.



Bachir Omar, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Iêmen, indicou que o número de vítimas está aumentando após o ataque a Saada, reduto de origem dos rebeldes houthis.

Os socorristas começaram a retirar corpos dos escombros da prisão e a empilhar cadáveres desmembrados, segundo imagens chocantes divulgadas pelos rebeldes houthis apoiados pelo Irã.

Durante a noite, outro bombardeio da coalizão liderada pela Arábia Saudita que apoia o governo do Iêmen atingiu a cidade portuária de Hodeida, um posto rebelde no oeste do país, causando uma interrupção generalizada da Internet.

Segundo a ONG Save The Children, pelo menos três crianças morreram nesse ataque. “Aparentemente, eles estavam jogando em um campo de futebol próximo quando os mísseis caíram”, explicou a diretora da organização para o Iêmen, Gillian Moyes.

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O hospital da cidade recebeu cerca de 200 feridos e disse que está sobrecarregado e não pode receber mais pacientes, informou a organização Médicos Sem Fronteiras.

“Ainda há muitos corpos no local do atentado e muitos desaparecidos”, disse Ahmed Mahat, chefe da delegação dos Médicos Sem Fronteiras no Iêmen.

– Direito à defesa –

A agência oficial de imprensa saudita informou que a coalizão lançou “bombardeios destinados a destruir a capacidade das milícias houthis de agir em Hodeida”.

A aliança militar indicou que atacou um “centro de pirataria e crime organizado”.

O porto de Hodeida é uma área estratégica por onde transita a ajuda humanitária ao Iêmen e é um bastião fundamental no conflito.

A organização NetBlocks, especializada em vigilância na Internet, relatou uma “interrupção de conexão à Internet em todo o país” após o atentado.

Correspondentes da AFP nas cidades de Hodeida e Sana’a confirmaram esta informação.

Essa escalada do conflito no Iêmen ocorre depois que os rebeldes houthis sequestraram um navio com bandeira dos Emirados no Mar Vermelho no início de janeiro.

A coalizão então ameaçou bombardear os portos controlados pelos rebeldes se o navio não fosse liberado.

Na segunda-feira, milícias houthis lançaram um ataque de drones a instalações petrolíferas em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, deixando três mortos e seis feridos.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta sexta-feira em uma sessão de emergência sobre o ataque houthi contra os Emirados, a pedido do país, membro não permanente desta entidade desde 1º de janeiro passado.

O assessor presidencial dos Emirados, Anwar Gargash, alertou que o país exerceria o direito de se defender, em comunicado enviado ao emissário dos Estados Unidos, Hans Grundberg, que foi publicado pela agência oficial WAM.

Os Emirados desempenharam um papel fundamental no estabelecimento, treinamento e armamento das “forças da Brigada dos Gigantes”, que permitiram que as forças do governo recapturassem uma província no sul do Iêmen.

Segundo a ONU, a guerra no Iêmen deixou 377 mil mortos entre vítimas diretas e indiretas desse conflito que já dura sete anos.