Ciência

Pegadas de 23.000 anos reescrevem a história humana das Américas

Crédito: NATIONAL PARK SERVICE/AFP

Foto das dunas no parque nacional de White Sands, en Novo México, onde foram encontradas as pegadas de 23.000 anos - NATIONAL PARK SERVICE/AFP (Crédito: NATIONAL PARK SERVICE/AFP)

Pegadas de 23.000 anos, descobertas no sudoeste dos Estados Unidos, sugerem que os assentamentos humanos na América do Norte são anteriores ao fim da era do gelo, que se supõe permitiu esta migração, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (23).

Estas pegadas foram deixadas às margens de um lago atualmente seco e onde há um deserto no Novo México, dentro do parque nacional White Sands.

Com o tempo, os sedimentos cobriram as pegadas e as protegeram até que a erosão as deixou expostas para o deleite dos cientistas.

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“Muitas pegadas parecem ser de adolescentes e crianças. As maiores, de adultos, são menos frequentes”, escreveram os autores no estudo publicado na revista americana Science.

Também foram identificadas pegadas de animais, mamutes e lobos pré-históricos. Algumas, como as de preguiças-gigantes, são inclusive contemporâneas e próximas às dos humanos na margem do lago.

A descoberta é decisiva para o debate sobre com o Homo sapiens chegou às Américas, último continente povoado por nossa espécie. Isso porque as pegadas de White Sands “indicam que os humanos estavam presentes na paisagem pelo menos há 23.000 anos, com um registro de ocupação de aproximadamente dois milênios”, destacou o estudo.

Durante décadas, a tese mais aceita foi a que diz que um assentamento proveniente da Sibéria tenha cruzado uma ponte terrestre – o atual estreito de Bering – para chegar ao Alasca e logo se espalhar para o sul.

A evidência arqueológica, inclusive as pontas de lança usadas para matar os mamutes, sugerem durante muito tempo um assentamento de 13.500 anos associado com a chamada cultura Clovis, que leva o nome de uma cidade do Novo México, considerada a cultura americana mais antiga, de onde descendem os antepassados dos ameríndios.

Este modelo da “primitiva cultura Clovis” foi questionado durante 20 anos pelos novos assentamentos que fizeram recuar a idade das primeiras populações. Mas, no geral, esta data não passava de 16.000 anos atrás, depois do fim da “última era do gelo”.

Este episódio de glaciação é crucial porque admite-se comumente que as calotas polares que cobriam nesta época a maior parte do norte do continente impossibilitariam ou dificultariam muito qualquer migração humana a partir da Ásia, através do estreito de Bering ou, como sugerem descobertas recentes, ao longo da costa do Pacífico.

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