Dinheiro em foco

Pedro Paulo Silveira, da Nova Futura Investimentos

Crédito: Divulgação

Quem é e o que faz: Economista pela USP, mestre e doutorando em economia pela FGV. Tem 38 anos de mercado financeiro. Economista-chefe e gestor da Nova Futura Investimentos. (Crédito: Divulgação)

Por que uma corretora tradicional está ingressando no mercado de gestão de recursos?
A Nova Futura tem uma trajetória de 38 anos e é uma marca muito consolidada junto às pessoas físicas. Esse movimento foi ampliado pela conjuntura. Uma mudança pontual, que foi a queda da Selic, e outra mais estrutural, que foi a reforma da Previdência, levaram um número maior de pessoas a descobrir os investimentos.

Isso alterou as atividades da corretora?
Sim, mas não foi a única causa. Além dessas mudanças na conjuntura econômica terem estimulado mais pessoas a diversificar, a tecnologia barateou e facilitou a digitalização.

Como assim?
Eu tenho mais de 38 anos de profissão. Quando comecei a trabalhar, quem quisesse comprar ou vender uma ação tinha de telefonar para sua corretora, falar com um corretor e definir a operação. Esse corretor telefonaria para um operador de pregão para fechar o negócio. Toda essa operação era demorada e cara. Essa situação perdurou até a década passada. Atualmente, eu entro no aplicativo do meu celular e faço a mesma coisa em segundos, sem falar com ninguém e por uma fração do preço.

Ao oferecer fundos, a corretora não está canibalizando seu negócio?
Não. As corretoras diversificaram sua atuação nos últimos anos e nós não fomos uma exceção. Além da prestação de serviços de corretagem, nós distribuímos cerca de 100 fundos de investimento de diversos gestores em nossa plataforma. E o mercado cresceu muito, há cerca de 3,8 milhões de pessoas físicas na Bolsa. Isso permite que as corretoras diversifiquem mais suas atividades. Se alguns clientes deixarem de operar ações e passarem a investir apenas em fundos, isso não vai desestruturar as atividades, pois o mercado cresceu muito.

E por que lançar os próprios fundos?
Lançamos uma carteira de ações recomendada em 2016. O retorno nesse período tem sido 200% da variação do Ibovespa. Para facilitar a vida dos clientes, vamos transformar essa estratégia em um fundo de ações.

Será o único lançamento?
Não. Acabamos de lançar um fundo multimercado multiestratégia. A seguir, vamos aproveitar a trajetória de alta dos juros e lançar um fundo de renda fixa.

BLACKROCK LANÇA ETF DE ÍNDICES DOS EUA

A BlackRock e o banco B3 vão lançar quatro novos Brazilian Depositary Receipts (BDR) lastreados em fundos que reproduzem índices de ações, os Exchange Traded Funds (ETF). Os novos BDR vão seguir índices americanos dedicados ao sistema financeiro, à energia limpa e a ações de grandes empresas americanas e de fora dos Estados Unidos. Eles serão exclusivos para investidores qualificados, que possuem mais de R$ 1 milhão. Já foram lançados 69 BDRs de ETFs na B3, 45 deles acessíveis à pessoa física.

NUBANK E CREDITAS FAZEM PARCERIA

O Nubank anunciou na segunda-feira (13) uma parceria com a fintech Creditas, que concede empréstimos garantidos por imóveis e automóveis. A associação permitirá aos clientes do Nubank ter acesso aos financiamentos por meio de sua plataforma. Ela também garantiu ao banco digital uma opção de se tornar acionista minoritário da Creditas, podendo adquirir uma participação acionária de até 7,7% do capital da fintech. Além de atuar com empréstimos, a Creditas opera como corretora de seguros.

MARKETPLACE DE RECEBÍVEIS PARA FUNDOS

A plataforma digital de crédito Captalys vai lançar um marketplace de recebíveis. O objetivo é aumentar as transações das empresas de maior porte com fornecedores e clientes, por meio da concessão de empréstimos para pequenas e médias empresas. O marketplace vai operar sob a marca FinanFor, adquirida há dois anos pela Captalys, e visa facilitar a participação de fundos de investimento na compra de recebíveis de grandes sacados, um mercado ainda dominado pelas instituições financeiras tradicionais.

EM ALTA
0,92%

É o crescimento potencial do PIB brasileiro previsto para 2022. Nos dois anos seguintes ele deve ficar em 1,12% e em 1,31%. Essas são as previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em um estudo publicado na segunda-feira (13). O PIB Potencial tenta projetar a taxa de crescimento econômico que é possível com os recursos já disponíveis na economia sem que isso gere novas pressões sobre a taxa de inflação. Os pesquisadores do Ipea estimam que a economia apresente uma ociosidade entre 4% e 6%.

EM BAIXA
5,2 pontos

Foi a queda do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) em setembro, informou a Confederação Nacional da Indústria na terça-feira (14). Após quatro altas consecutivas, o indicador recuou para 58 pontos. O Icei segue acima da média histórica de 54 pontos, apesar de o otimismo ser menos intenso e estar menos disseminado. Foram entrevistados 1.611 empresários, 635 de empresas de pequeno porte, 608 de médio porte e 368 de grande porte, entre os dias 1º e 9 de setembro.