Edição nº 1150 09.12 Ver ediçõs anteriores

Pé no freio com as reformas

Pé no freio com as reformas

Dois pilares de transformação da economia vêm sofrendo desgastes na sua estrutura. As prometidas reformas administrativa e tributária acabam de levar trancos duros tanto por parte do Executivo como do Legislativo. O presidente Bolsonaro foi quem primeiro lançou o balde de água fria no assunto. As mudanças no campo dos recursos humanos do Estado vão ficar em banho-maria. Não serão para agora. No entender do capitão, o momento não é o ideal. Previsível! Ele se pauta pela agenda eleitoral.

Um tema como o de corte de benefícios e de vagas de trabalho dos servidores públicos colocaria a categoria em pé de guerra contra os seus anseios de expansão da base política. E justamente no momento em que ele se esforça para constituir o próprio partido e briga por um bolo de recursos de mais de R$ 250 milhões do fundo partidário. Bolsonaro está pensando primeiro nele e nos seus. As necessidades estruturais do País que fiquem para depois. Mero detalhe. O ministro Paulo Guedes se surpreendeu com a decisão e até ficou contrariado. Mas teve de ceder.

Valeu o marketing do anúncio pomposo em torno da ideia de enxugar a máquina, porém nada disso será para valer. Ao menos não no curto prazo. E o que é pior: se acontecer, virá, na determinação do mandatário, da “forma mais suave possível”. Exatamente o que isso significa do ponto de vista prático é uma incógnita. O fato é que a reforma administrativa não possui mais data para ser enviada ao Congresso. Na outra ponta, que trata da reforma tributária, a resistência vem direto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ele criticou a decisão do governo de encaminhar a proposta aos parlamentares em quatro etapas.

Disse que a primeira fase, que aborda a unificação do PIS e da Cofins para a criação de um imposto federal sobre o consumo, não passa. O tema segue parado na comissão especial há dois anos. A ideia foi concebida ainda nos idos de Temer e foi rechaçada pelo setor de serviços, em especial, porque elevaria a carga tributária. Para o deputado Maia, essa resistência continuará a travar o projeto. Na verdade, deputados e senadores querem compatibilizar o pacote tributário do governo com os outros dois projetos já em tramitação.

A convergência, entendem, seria a única maneira de vingar qualquer iniciativa nesse campo. Realisticamente, da mesma forma como acontece com as medidas da área administrativa, ajustes fiscais não são bem vistos e aceitos pela sociedade. A imposição deles em ano eleitoral é uma alternativa remota porque qualquer político que se preze teme contrariar contribuintes e perder votos nas urnas. É bom ir se contentando apenas com os ajustes da Previdência, por enquanto. O restante ficou para bem depois.

(Nota publicada na Edição 1148 da Revista Dinheiro)


Mais posts

Ao vosso reino, nada!

Há de se perguntar aonde essa relação do Brasil com os EUA vai chegar. A indagação procede. Ainda mais no momento em que o presidente [...]

O mau sinal do câmbio

O dólar nas alturas sinaliza o descrédito do Brasil junto aos investidores externos. O receio no meio dessa turma é crescente. Algumas [...]

Pacote aumenta desemprego

Ao menos no que tange à ideia de incentivo à geração de empregos, o novo pacote anunciado na semana passada com pompa por Bolsonaro e o [...]

A revolução em pacote

Em estilo midiático, com direito a travessia a pé pela esplanada dos ministérios até o Congresso, a esquadra do governo, comandada em [...]

Na economia vai tudo bem

Há um sopro de retomada no ar e o mercado está percebendo. O risco Brasil, por exemplo, caiu a praticamente zero. Em outras palavras, [...]
Ver mais