AS MELHORES DA DINHEIRO 2021

Pé no Brasil, olhar na América Latina

Com salto de faturamento que a tornou a segunda maior empresa da indústria, Eurofarma acelera os planos de expansão para outros países. Investimentos robustos em inovação e infraestrutura garantem à empresa suportar o aumento de demanda nos próximos anos.

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Companhia deve fazer nova aquisição para ganhar mais espaço nas prateleiras das farmácias em toda a américa latina e manter a projeção de crescimento para 2022. (Crédito: Divulgação)

Ser o destaque de um setor concorrido como o farmacêutico é algo para se gabar. Mas não na Eurofarma. Vencedora da categoria farmacêutico, higiene e limpeza do anuário AS MELHORES DA DINHEIRO 2021, reconhecer o peso dos seus concorrentes faz com que a companhia pense apenas no amanhã. Na agenda do presidente da empresa, Maurizio Billi, o espaço para comemoração é breve. Em entrevista, o executivo celebrou, na verdade, a queda das vendas de anestésicos hospitalares, que tinham batido recorde no último ano. “Isso mostra a redução das internações no Brasil”, disse. Nada que tenha ameaçado as projeções para 2021, “um ano bom em resultados”, afirmou o executivo. Mas para crescer no ritmo da sua ambição, a multinacional brasileira precisa dar saltos maiores. A perspectiva de abrir capital segue à vista, esperando o momento certo para entrar em jogo. “O que nos motivaria a fazer IPO seria a compra ou fusão com outra grande companhia”, disse Billi.

Hoje, porém, o foco é fortalecer as operações internacionais, que precisam atingir 30% do faturamento até 2022 — atualmente, a fatia é de 20%. “Será difícil promover esse crescimento de forma orgânica, então faremos uma aquisição no próximo ano”, afirmou. Desde a compra dos ativos da Takeda em 2020, pelos quais pagou US$ 161 milhões à Hypera Pharma, a Eurofarma firmou sua operação no México, segundo maior mercado na América Latina, atrás apenas do Brasil.

Com faturamento de R$ 6,2 bilhões em 2020, alta de 16% contra o ano anterior, a companhia seguiu em linha com a taxa de crescimento médio dos últimos 15 anos. Na perspectiva da indústria, o desempenho foi menos modesto: desbancou a Aché e se tornou a segunda maior do mercado em receita, segundo dados da consultoria IQVIA. E a empresa reza a cartilha da inovação como única saída para uma indústria que vive de agilidade e eficiência. A ponto de ter elevado em 45% (para R$ 420 milhões) o orçamento para pesquisa e desenvolvimento em 2021.

MAURIZIO BILLI EMPRESA: Eurofarma CARGO: Presidente DESTAQUE DA GESTÃO: Investimento de R$ 420 milhões em inovação e de R$ 1,3 bilhão para dobrar a capacidade produtiva, decisivos para a parceria com a pfizer para a vacina contra a covid. (Crédito:Divulgação)

O ano ainda aproximou a Eurofarma da promessa de se tornar a primeira do setor privado a dominar o processo de produção de vacinas na América Latina, graças à parceria com a Pfizer para produção do imunizante contra a Covid-19. “Tendo a tecnologia, poderemos ser autossuficientes.”

A expectativa de aumento da demanda ainda levou ao investimento de R$ 1,3 bilhão numa nova planta em Montes Claros (MG), cujo primeiro módulo será inaugurado em 2022. “A fábrica vai dobrar nossa produção atual. Sem isso, nossa capacidade produtiva estaria exaurida em dois anos”. O desabastecimento dos produtos chineses levou a um dos casos mais críticos durante a pandemia com a falta de materiais para os medicamentos do kit intubação, o que provocou alta de 650% nos preços. Vamos conviver com isso para sempre. Não dá para fabricar no Brasil o que já se produz a um custo muito mais competitivo em outros lugares. Perdemos esse bonde 50 anos atrás”, disse.

A agenda ESG (ambiental, social e de governança corporativa, na sigla em inglês) é estratégica na operação da Eurofarma. Em 2020, a companhia investiu R$ 48,3 milhões nessa frente. Há 45 anos no mercado, Maurizio vê com bons olhos o aumento de espaço para essas discussões nos negócios, o que atribui à nova geração de gestores. “São pessoas que enxergam isso de forma pragmática, como um diferencial de mercado. Quem oferece mais oportunidades cresce mais”.

O presidente da Eurofarma mantém as projeções de expansão em 2022 mesmo com a perspectiva de instabilidade política. “Uma empresa com 50 anos já atravessou governos e enfrentou muitas dificuldades, principalmente planos econômicos que não deram certo”, afirmou. Com o mesmo tom e discurso, sempre em frente.