Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O ex-ministro Ciro Gomes foi confirmado nesta quarta-feira como candidato pelo PDT à Presidência em convenção partidária na qual atacou duramente a polarização política entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numa tentativa de deixar o isolamento em que se encontra.

Estacionado em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, com menos de dois dígitos na disputa, o pedetista vai concorrer pela quarta vez à Presidência e não chegou a anunciar quem será o candidato ou a candidata a vice, como fez questão de dizer.

Em cerca de uma hora de discurso, para uma plateia composta principalmente de pedetistas, Ciro disse que o país nunca teve um presidente tão “insensível e incompetente”. Disse que “diariamente” as pessoas assistem a um “festival de mentiras, agressões, desmandos e manipulações de toda espécie”.

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O pedetista afirmou que o presidente busca a “mais desavergonhada tentativa de permanência no poder” já feita para se reeleger. De um lado usa “mentiras sobre a segurança das urnas e insinua intervenção armada”, ao mesmo tempo em que tenta se beneficiar da “famigerada PEC Kamikaze, o maior estelionato eleitoral da nossa história”. Ciro se referia à Proposta de Emenda à Constituição que amplia e cria benefícios a poucos meses da eleição.

Ciro –que foi ministro da Integração de Lula– também atacou o ex-presidente e as gestões do PT. Disse que Lula “temperou a comida” no que chamou de banquete dos ricos, para dar o resto para os pobres, e que o petista, por seus erros, “parece ter saído da prisão para aprisionar o Brasil em uma camisa de força”.

Para o candidato do PDT, em 14 anos o “lulismo pariu o bolsonarismo” e que o Brasil chegou a essa situação porque esquerda e direita foram e são cúmplices do mesmo modelo, incapazes de propor uma saída.

“É por isso que Lula e Bolsonaro querem transformar esta eleição na mais vazia de debates e de confronto de ideias de todos os tempos”, criticou.

Dizendo-se “bem diferente”, Ciro anunciou o Projeto Nacional de Desenvolvimento, o PND, com um conjunto de iniciativas com “metas claras” a ser negociado com a sociedade, governadores, prefeitos e Congresso que tem por objetivo um “Estado vigoroso, indutor de crescimento econômico e da justiça social”.

Segundo o candidato, o plano será baseado na produção e não na especulação, com uma política de juros de “mundo civilizado” e metas que equilibram índices de inflação e de emprego.

“E em uma reforma tributária que vai corrigir as distorções que permitem, hoje, ao rico pagar menos imposto do que a classe média e o pobre”, sugeriu.

Ciro afirmou que, pelo PND, a Petrobras será transformada na maior empresa de energia pura do mundo para salvá-la da “pirataria da privatização” e acabar com o que considera “salafrária política de preços”.

O projeto, disse, prevê o fim do teto de gastos públicos, tido como inibidor do crescimento e devorador de vidas, para buscar um “equilíbrio fiscal vigoroso”, além de investimentos maciços em áreas de infraestrutura e sociais. Sugeriu também a taxação de grandes fortunas.

Ciro prometeu propor o fim da reeleição, abrindo mão deste direito e promover uma revolução na educação, citando o exemplo do que ocorre na área no Ceará, Estado que já governou.

Aliás, no Ceará o PDT vive uma turbulência. O ex-prefeito de Fortaleza Roberto Claudio (PDT) foi escolhido pelo partido para concorrer ao governo estadual após a legenda ter escanteado a atual governadora, Izolda Cela, também do partido, que era a preferida dos petistas, o que tende a acabar com uma aliança que dura há anos.

O movimento teria por objetivo evitar um palanque duplo para Ciro e Lula dentro da legenda no Ceará, berço político do pedetista, mas pode, na prática, aumentar ainda mais o isolamento do candidato.

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