Finanças

Pavimentando o caminho

Fintech PagBem, voltada para atender necessidades dos caminhoneiros, recebe aporte de R$ 100 milhões da financiadora Omni

Crédito: Divulgação

Gustavo Maniero, da PagBem: “Queremos contribuir para a renovação da frota de caminhões que está muito envelhecida” (Crédito: Divulgação)

Deflagrada em maio de 2018, a greve dos caminhoneiros que paralisou o País chamou a atenção da sociedade para as demandas da categoria por melhores condições de trabalho. No entanto, o executivo Gustavo Maniero tem consciência dessas necessidades desde 2011, quando trabalhava na trading agrícola Bunge. Maniero criou uma empresa de tecnologia para facilitar o tráfego de informações e de dinheiro entre os ocupantes das boleias. A Siga Fácil nasceu com 50% de participação da própria Bunge e com os demais 50% da empresa de gestão de recursos brasileira Captalys.

A empresa instalou uma rede de terminais em postos de combustível à margem das rodovias. Os terminais, parecidos com as maquininhas das empresas de adquirência permitem tramitar a burocracia junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A PagBem também oferece um cartão co-branded em parceria com a Visa, que funciona como uma conta simplificada. Com o produto, os caminhoneiros fazem seus pagamentos durante a viagem, evitando trafegar pelas estradas com a carteira recheada de notas.

Em 2015 Maniero identificou entraves regulatórios na estrutura societária que impediam a expansão da Siga Fácil conforme o planejado. Ele então deixou a empresa e criou uma concorrente, a PagBem, com apoio do fundo R2C. Em 2017 foi a vez de a gestora Omni entrar no capital da empresa de forma minoritária, permitindo a Maniero comprar a Siga Fácil.

No fim de maio, a Omni aportou mais R$ 100 milhões e comprou o controle da PagBem. “Sentimos a necessidade de buscar um investidor mais robusto em termos financeiros e que também pudesse trazer expertise ao nosso negócio”, afirma Maniero. Uma das frentes de atuação da Omni é o financiamento de veículos usados, serviço que foi recentemente adicionado ao leque da PagBem. Sua carteira de empréstimos, ainda no início, deve chegar a R$ 50 milhões no fim de 2019. “Queremos oferecer financiamentos a um segmento que tem dificuldade de obter crédito pelo grau elevado de informalidade e pela alavancagem”, diz o executivo. “Nossa intenção é contribuir para a renovação da frota de caminhões que está muito envelhecida”.