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Paulo Guedes seria um Tite na CBF?

Paulo Guedes seria um Tite na CBF?

O técnico da seleção brasileira, Tite, em entrevista coletiva, no Rio de Janeiro, em 21 de setembro de 2018 - AFP

Olá, pessoal, tudo bem? Nunca gostei muito de criar analogias entre a economia e o futebol, mas vou abrir uma exceção. O início da gestão do superministro da Economia, Paulo Guedes, me lembrou o técnico Tite no comando da seleção brasileira. Ambos são considerados competentes e sérios, mas trabalham em locais bagunçados. A dúvida é até que ponto um ambiente desorganizado em Brasília pode atrapalhar Guedes, assim como as confusões da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) prejudicam o técnico da seleção.

Os primeiros dias da gestão econômica receberam aplausos dos investidores – a Bovespa quebrou recordes e o dólar caiu. O primeiro grito de gol foi ouvido após o discurso de posse de Paulo Guedes, na quarta-feira 2, em Brasília. O comandante da economia explicou o seu esquema de jogo liberal, com ênfase em privatizações, desburocratização, simplificação tributária, descentralização fiscal e abertura econômica.

Ele pisou na bola, no entanto, ao lançar um plano B para a reforma da Previdência Social, que seria a desvinculação total do orçamento federal. Na minha avaliação, um plano B só pode ser divulgado quando o plano A fracassa. Neste caso, o plano A é a aprovação da reforma da Previdência. A divulgação antecipada do plano B enfraqueceu o plano A e acabou soando como chantagem no Congresso Nacional.

Enquanto isso, os bastidores do governo Bolsonaro se pareciam com a caótica CBF. Cada um falava uma língua, desde o presidente Jair Bolsonaro até ministros e secretários. Os desencontros viraram manchetes e até piadas nas redes sociais. Dentre as bolas divididas, nos últimos dias, destaco a idade mínima para aposentadoria, a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a negociação entre Embraer e Boeing. Não há nenhum crime em divulgar um fato e depois negá-lo, mas isso pode gerar uma sensação de governo perdido.

No cargo desde junho de 2016, o técnico Tite nunca teve o respaldo necessário da cúpula da CBF. Motivo: como ter respaldo de pessoas que estão presas, são investigadas ou nada entendem de futebol? No cargo há poucos dias, Guedes recebeu nesta segunda-feira 7, o respaldo do presidente Bolsonaro através de um elogio. “O desconhecimento, meu ou dos senhores, em muitas áreas e a aceitação disso são sinal de humildade. Tenho certeza, sem qualquer demérito, de que eu conheço um pouco mais de política que o Paulo Guedes, e ele conhece muito, mas muito mais de economia do que eu”, afirmou o presidente, durante posse dos presidentes dos bancos públicos.

Por coincidência, o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), usou termos futebolísticos para explicar por que não houve atritos entre Bolsonaro e Guedes. “Não teve rusga nenhuma. Nem rusga nem carrinho por trás nem tesoura voadora, não teve nada. Hoje de manhã se encontraram aí, ‘best friends’. Não tem essa história”, disse o general Heleno.

Espera-se que as trapalhadas na comunicação sejam apenas um pequeno desacerto num governo em início de trabalho. A expectativa em torno de Guedes e de sua equipe é tão grande quanto a que existia em relação a Tite, Neymar e Cia.. O começo do técnico da seleção foi muito bom, mas a Copa do Mundo na Rússia gerou uma enorme decepção nos brasileiros. Por ora, a torcida aplaude o superministro Guedes. Em breve, ele será testado no primeiro jogo de sua Copa do Mundo: a votação da reforma da Previdência. Como brasileiro, torço por Tite e Guedes.


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