Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) – O Pátria Investimentos está investindo 120 milhões de dólares para lançar as operações de uma nova empresa de energia dedicada a projetos solares de geração distribuída, apostando em um mercado que vem crescendo de forma acelerada no Brasil na esteira da transição energética e da busca pelos consumidores por soluções para baratear a conta de luz.

Batizada de Élis Energia, a nova empresa da gestora recebeu recursos do fundo Pátria Infraestrutura IV e chega ao mercado com planos de construir de 35 a 40 usinas solares de pequeno porte até 2024, alcançando uma capacidade instalada de cerca de 200 megawatts-pico (MWp).

A proposta da Élis é trabalhar na ponta de infraestrutura de empreendimentos solares, deixando a venda e compensação da energia gerada pelas usinas a cargo de seus clientes, principalmente comercializadoras, que farão a gestão e contato com o consumidor final.

À Reuters, o presidente da Élis Energia, Pierre-Yves Mourgue, explicou que essa estrutura permite melhor aproveitamento das expertises do Pátria na área de infraestrutura, deixando a lógica comercial e de marketing para quem é especializado nesse negócio.

“O nosso métier é ter os projetos, implantar usinas, operá-las e financiá-las, e entregar energia na rede”, disse Mourgue, que trabalha há anos no mercado de geração distribuída solar no Brasil.

A nova plataforma do Pátria assinou seu primeiro contrato de longo prazo para arrendamento de usinas solares com a Evolua Energia, empresa da qual Mourgue é cofundador. O acordo envolve a compra de 40 MWac de energia pela Evolua por 20 anos, protegidos contra a inflação e com opção por mais 40 MWac.

Além da Evolua, a empresa já fechou acordo com a Safira Energia para fornecimento de 20 MWac está em negociação com outros agentes de comercialização de energia para novos contratos, a fim de cobrir o total da sua capacidade prevista.

Segundo o presidente da Élis, os primeiros projetos devem abranger sete Estados: Minas Gerais, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Goiás e Mato Grosso. Também já estão mapeadas oportunidades no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro.

Os primeiros empreendimentos da Élis já têm solicitações de conexão protocoladas nas distribuidoras, de modo que devem usufruir dos benefícios tarifários concedidos à geração distribuída de energia antes da entrada em vigor, no mês passado, das novas regras da lei 14.300.

Responsável por impulsionar a fonte solar no Brasil, a modalidade de geração distribuída de energia engloba desde telhados solares em residências até pequenas usinas, de até 5 megawatts (MW) de potência, para abastecer o consumo de empresas. Atualmente, o segmento soma 17 GW de potência no país.

(Por Letícia Fucuchima)

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