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Para quem planeja o que vai comprar

Antes restrito ao carro zero ou à casa própria, o setor de consórcio cresce com a oferta de serviços – que vão de cirurgias plásticas até festas de casamento – e projeta fechar 20% mais negócios este ano.

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O setor de consórcios fechou 2019 com um total de 2,87 milhões de novas adesões no País, um resultado 10,4% acima do ano anterior — e que gerou 26,5% de aumento no volume de negócios. “O destaque está na categoria de serviços”, afirma Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Associação Brasileira de Consórcios (Abac). O segmento de serviços cresceu quarto vezes a média do setor, com alta de 41,2% em 2019. “Os resultados positivos, mesmo considerando a influência das situações políticas e econômicas, ratificam a maturidade do mecanismo e sinalizam boas perspectivas para 2020”, diz Rossi. As adesões devem crescer 12% este ano, gerando um volume de negócios 20% maior que o de 2019.

As razões para confiar no crescimento do setor são as mesmas que embalaram o recente aumento de negócios como um todo no País: queda de juros e perspectiva de reaquecimento da economia após a aprovação da reforma da Previdência e do avanço das tratativas em torno das reformas administrativa e tributária. Se esse conjunto ainda não é suficiente para se refletir em alta do PIB, ele ao menos está fazendo com que o brasileiro seja mais prudente ao planejar seus gastos. E é aí que o consórcio ganha adeptos. Trata-se de uma modalidade de investimento na aquisição de bens e serviços que funciona perfeitamente para quem possui disciplina financeira.

“Consorciar serviços passou a ser uma maneira de fazer planejamento financeiro com taxas e prazos melhores do que dos bancos para as aplicações” Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da abac. (Crédito:Divulgação)

Pesa em fator dos consórcios a lei 11.795, aprovada em fevereiro de 2009, que regulamentou a venda de serviços. O setor hoje oferece de viagens a comemorações (como festas de casamento), passando por cirurgia plástica, tratamento dentário e até reforma da casa. O prazo médio de duração do consórcio de serviços é de 51 meses. A taxa de administração gira em torno de 0,4% do valor da cota e o crédito pode ser usado até o final do grupo — que também decide pelo tipo de correção monetária que adotará. No caso dos serviços, as atualizações são feitas seguindo o IPCA ou o IGPM.

O consorciado tem ainda liberdade para usar seu crédito (contemplado em lance, sorteio ou ao fim do contrato) para qualquer serviço. Ou seja, se a pessoa entrou no grupo com a intenção de comprar uma cota de viagem para a família e, ao ser contemplada, preferir reformar a casa, poderá usar o valor para essa finalidade. “Consorciar serviços passou a ser uma maneira de fazer planejamento financeiro com taxas e prazos melhores do que as oferecidas pelos bancos para as aplicações”, afirma o presidente da Abac.

ELÉTRICOS O aquecimento do setor também se deve a novos produtos. Com mais de 30 anos de mercado, a Embracon desenvolveu uma fintech somente para consorciar serviços. Assim como fazem os bancos digitais que isentam correntistas de tarifas, a fintech da Embracon dá suporte para a UP Consórcios, que oferece isenção total de juros e taxa zero até a cota ser contemplada. “A intenção é que o consorciado se beneficie adquirindo o bem sem grandes impactos no orçamento e garantir vantagens como a liberdade de fazer a simulação e escolher o plano e parcela que mais se encaixa no seu objetivo”, afirma Lorelay Lopes, head de Operações de Negócio da UP Consórcios.

A Coimex Administradora de Consórcios conseguiu autorização junto ao Banco Central para disponibilizar sua plataforma Open Consórcio. O novo modelo oferece APIs (sigla para interface de programação de aplicação) para que outras empresas possam criar seus próprios consórcios integrados à operação da Coimex. “Esse formato pode ser usado por uma montadora, por exemplo, para fazer as vendas por meio de consórcio, sem precisar ser uma empresa especializada nesse setor”, afirma Rodrigo Coser, executivo do grupo Coimex.

Autorizada a comercializar cotas de consórcios em vários segmentos, a Unifisa (Administradora Nacional de Consórcios) está colocando no mercado o primeiro grupo de automóveis elétricos do País. “Nós fixamos entrada e juros zero no carro elétrico”, afirma Luiz Fernando Savian, diretor do Consórcio Unifisa. As cotas variam de R$ 1.599,36 a R$ 2.665,60 mensais, em plano de 100 parcelas e contemplações por sorteio e/ou lance. Os créditos ofertados são de R$ 120 mil a R$ 200 mil. Entre os modelos que cabem no valor estão os chineses da JAC Motors (IEV 20 e IEV 40), Renault Zoe, Chery Arrizo, Chevrolet Bolt, Nissan Leaf e BMW i3.