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Pandemia avança no Brasil e EUA anunciam rompimento com a OMS

Pandemia avança no Brasil e EUA anunciam rompimento com a OMS

O presidente americano Donald Trump na Casa Branca em 29 de maio de 2020 - AFP

O Brasil se tornou o quinto país com o maior número de mortes provocadas pelo novo coronavírus, com quase 28.000 vítimas fatais, com um balanço diário cada vez mais grave, assim como nos Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump anunciou a ruptura das relações com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Brasil registrou 1.124 mortes nas últimas 24 horas e parece que ainda não alcançou o pico da pandemia. O balanço de vítimas fatais do país é o quinto maior do mundo, atrás dos Estados Unidos (102.836), Grã-Bretanha (38.161), Itália (33.229) e França (28.714).

Os especialistas advertem que os casos de contágio, que superam 465.000 oficialmente, podem ser até 15 vezes superiores, devido à falta de testes de diagnóstico no país.

Em termos proporcionais, no entanto, os números do Brasil são menos graves. O país registra 131 mortes por milhão de habitantes, contra mais de 300 nos Estados Unidos e 580 na Espanha.

São Paulo e Rio de Janeiro são os dois estados com mais mortos e casos, mas aqueles mais afetados em relação a sua população estão nas regiões Norte e Nordeste, cujos sistemas de saúde estão à beira do colapso.

Analistas calculam que o PIB do Brasil pode registrar queda de mais de 10% este ano. O fator econômico é a principal razão do presidente Jair Bolsonaro para manifestar oposição às medidas confinamento decretadas por vários governadores e prefeitos, seguindo as recomendações da OMS e da comunidade científica internacional.

De acordo com uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada na sexta-feira, 50% dos brasileiros entrevistados avaliam negativamente a forma como Bolsonaro enfrenta a crise e apenas 27% aprovam a gestão do governo federal para a pandemia.

– “Meses de angústia” –

Na Europa prossegue a flexibilização do confinamento. Na Itália, a Torre de Pisa reabriu ao público, enquanto na capital ucraniana, Kiev, os centros comerciais e hotéis retomaram as atividades.

A França abriu os parques e jardins públicos, assim como as Galeries Lafayette de Paris, que exigirão dos clientes o uso de máscaras e a observação da distância de segurança.

Museus, cafés e restaurantes franceses devem abrir as portas na terça-feira.

“Foram meses de angústia constante, não ter o que comer ou como pagar o aluguel” explica Laura González, uma colombiana de 20 anos que mora em Paris com a família. Eles não têm documentos oficiais ou empregos permanentes e perderam toda a renda desde o início do confinamento, em meados de março.

No total, a pandemia já matou pelo menos 364.362 pessoas em todo o mundo desde o primeiro caso, no fim de dezembro na China, de acordo com um balanço da AFP com base em fontes oficiais. Também foram registrados mais de 5,9 milhões de casos em 196 países e territórios.

– Estados Unidos abandonam a OMS –

A gestão da OMS para a pandemia é criticada pelo governo dos Estados Unidos há várias semanas. Os comentários negativos foram seguidos pela decisão de reduzir a contribuição financeira americana à organização e finalmente, na sexta-feira, Trump anunciou o fim dos laços com a agência de saúde da ONU.

Desde o início da epidemia, Trump afirma que a OMS foi muito indulgente com a China. Estados Unidos, maior doador da OMS, “redistribuirão os recursos financeiros para outras necessidades de saúde pública urgentes e globais que mereça”, declarou Trump.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, fizeram um apelo neste sábado para que Washington “reconsidere a decisão” de romper os vínculos com a OMS.

O governo dos Estados Unidos contribuía com 15% do total do orçamento da OMS, que administra uma quantidade de dinheiro muito similar a de um hospital de porte médio em um país desenvolvido”, segundo o diretor geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A OMS tem 7.000 funcionários em todo o mundo.

A decisão de Trump coloca em perigo programas de saúde nos países mais pobres do mundo.

“Louca e aterrorizante”, definiu Richard Horton, editor da prestigiosa revista médica britânica The Lancet.

A contribuição americana de destina essencialmente à África e Oriente Médio. Quase um terço das contribuições ajudam a financiar ações de luta contra as emergências de saúde. O restante é destinado aos programas de erradicação da poliomielite, para melhorar o acesso aos serviços de saúde e à prevenção e luta contra as epidemias.

– Anakinra –

Nos Estados Unidos, o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou que estuda uma flexibilização das medidas de confinamento para a semana de 8 de junjo, desde que os indicadores de saúde pública permitam.

A flexibilização incluiria inicialmente apenas uma parte da economia, principalmente o setor de construção e manufatura. Nova York, com mais de 21.000 mortos, é a cidade mais afetada pelo coronavírus no mundo.

Os restaurantes e salões de beleza em Los Angeles, a cidade da Califórnia mais afetada pela COVID-19, foram autorizados a reabrir na sexta-feira, com restrições. Todos os funcionários e clientes dos estabelecimentos devem usar máscara.

Na área médica, a “anakinra”, inicialmente destinado a doenças reumáticas, apresentou resultados “promissores” para tratar as doenças graves provocadas pela COVID-19 ao reduzir o risco de morte e a necessidade de usar respiração assistida no CTI, de acordo com um estudo francês.

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