05/04/2006 - 7:00
Que Gillette, Xerox e Palm são sinônimos das categorias de produtos às quais pertencem, não é nenhuma novidade. Mas que a empresa de computadores de mão tenha crescido quase 40% no mundo em receita e 200% em número de unidades vendidas no Brasil, no ano passado, isso sim é completamente inusitado. Isso porque, com US$ 1,3 bilhão de faturamento mundial em 2005, a Palm é uma marca madura, com seu principal produto no mercado há exatos 10 anos. Além disso,
como qualquer empresa de tecnologia, tem sido atacada sistematicamente por fabricantes de genéricos ? aqueles que prometem produtos com recursos similares a preços mais em conta. No caso de computadores de mão, o agravante de que a Palm concorre com HP, Sony e a brasileira Gradiente. Segundo especialistas, no entanto, a companhia da Califórnia tem sabido apresentar inovações facilmente percebidas pelo consumidor, antes dos competidores. Esses pulos de gato têm evitado que a empresa sofra danos concorrenciais mais graves.
Szapiro, vice-presidente: ?Os resultados superaram todas as expectativas?
O que aconteceu no Brasil no ano passado foi típico. Ao lançar o Treo, a Palm soube antecipar o desejo dos clientes com preços atraentes. Boa parte dos 80 milhões de celulares que hoje estão em operação no País já contam com recursos como agendas de telefone e de compromissos. É isso, basicamente, o que a Palm oferecia quando o organizador Pilot, seu produto mais tradicional, foi lançado há 10 anos. O primeiro Palm Pilot tinha tela preto e branco, armazenava 500 endereços e um ano de compromissos. Hoje, seus produtos lembram mais um canivete suíço do que a chave de fendas da época. Os celulares Treo são computadores que acessam a internet banda larga sem fio, têm tela colorida de alta definição, câmera digital, filmadora e tocador de MP3 e 29 mil softwares disponíveis. ?Há uma discussão acadêmica sobre se empresas como a Palm antecipam a tendência ou se elas criam a necessidade de uso da tecnologia?, diz Adrian Kemmer, professor do departamento de informática da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. ?Mas o fato é que a Palm fez da mobilidade e da convergência suas prioridades. E a aposta foi muito bem sucedida?.
Foi exatamente esse direcionamento que propiciou o salto nas vendas no ano passado. A empresa lançou produtos em duas novas categorias de mercado: a de telefones celulares, com o Treo, e a de computadores de bolso, com o LifeDrive. Acertou em cheio, porque as pessoas estão cansadas de levar nos bolsos três ou quatro tipos de aparelhos diferentes. Além disso, a possibilidade de o empregado estar conectado ininterruptamente ao trabalho é um forte estímulo para a compra dessas novas tecnologias por parte das empresas. O resultado desse duplo sucesso ? no mercado pessoal e no corporativo ? fez com que a Palm não só continuasse líder de mercado (com 83% de participação nas vendas de computadores de mão no País), como ainda multiplicou por dois o número de aparelhos vendidos. ?Os resultados superaram todas as expectativas?, afirma Alexandre Szapiro, vice-presidente da Palm no Brasil, que acaba de assumir o comando das operações da empresa nos demais países do Mercosul e no Chile. Para garantir bons preços, a Palm beneficiou-se dos benefícios fiscais concedidos aos fabricantes de computadores instalados no País. O Brasil é o único lugar fora da Ásia onde a Palm tem fábricas de computadores. ?Este ano diversificaremos ainda mais?, promete Szapiro. Certamente, serão ainda mais traquitanas no mesmo canivete suíço.
A EVOLUÇÃO DA PALM
Nascida com olhos na mobilidade, a empresa voltou-se recentemente também à convergência
Palm pilot:
o organizador criou
uma nova categoria
de produtos há
exatos 10 anos
Telefone inteligente: lançado em 2001,
uniu computador
de mão e celular
Computador
de bolso
Para negócios fora
do escritório e lazer,
o gerenciador móvel
chegou ao mercado
em 2005