Dinheiro em foco

Palavra do gestor

Luciano França, fundador da Avantgarde Asset

Palavra do gestor

O senhor administra um fundo de ações multifatores. O que é isso?
Resumidamente, é um fundo de ações em que os papéis são escolhidos de acordo com várias características. A maioria dos fundos de ações segue apenas um fator. Por exemplo, nos fundos que reproduzem o Ibovespa, as ações são escolhidas pela liquidez, assim como ocorre no índice. Em um fundo multifator, usamos algoritmos para escolher combinações de ações que
se complementam, de modo a obter um desempenho melhor.

Quais fatores são analisados para compor a carteira?
Usamos modelos estatísticos que avaliam a volatilidade da ação, a robustez da empresa, o cenário macroeconômico, o histórico de crescimento, entre outros aspectos. Isso aumenta as oportunidades de ganho no longo prazo.

Como isso melhora o desempenho?
Suponha que você quer montar um grupo dos melhores alunos de uma escola e seu critério são apenas as notas de matemática. Um estudante pode ter nota 10, mas obter notas baixas em ciências humanas. Isso pioraria o resultado do grupo. Com uma análise multifatores, você teria um grupo de alunos cuja média é 8,5. Em conjunto, eles teriam maior probabilidade de apresentar desempenho bom e consistente ao longo do tempo.

Não é mais arriscado do que os fundos tradicionais?
Não. Os fundos multifatores estão menos expostos a um único ativo e buscam selecionar ações cujos preços variam menos. Assim, esses fundos tendem a sofrer menos com os impactos da alta ou queda irracionais do mercado de ações e são menos arriscados.

Quais as características do seu fundo?
Nosso principal produto é o Avantgarde Multifatores FIA. É um fundo de ações da categoria Livre, com aplicação mínima de R$ 1 mil, taxa de administração de 2% ao ano e taxa de performance de 20% do que superar o IBX.

O impacto da pandemia

O patrimônio total da indústria de fundos chegou a R$ 6,09 trilhões em janeiro, queda de 3% ante os R$ 6,28 trilhões de dezembro. Em termos absolutos, o total de recursos administrados na indústria está abaixo dos R$ 7,05 trilhões do fim de 2019. O patrimônio também encolheu em termos relativos. O total recuou para 81,8% do Produto Interno Bruto (PIB), comparáveis com os números de 2015 e de 2016. Naquela ocasião, a retração da economia derrubou as cotações das ações e fez encolher o total administrado na indústria.