Dinheiro em foco

Palavra do gestor Leandro Saliba, gestor da AF Invest

Crédito: Divulgação

Quem é e o que faz: Mineiro, administrador de empresas. Gestor de ações há cerca de 20 anos. Trabalhou no Libertas, antigo Previminas, fundo de pensão multipatrocinado dos servidores públicos mineiros. (Crédito: Divulgação)

Qual a estratégia do FIA Minas (fundo da AF Invest) que rendeu quase o dobro do Ibovespa no primeiro semestre?
O fundo nasceu em 2010. Tem aplicação mínima de R$ 1 mil. A taxa de administração é de 2% ao ano, e a taxa de performance é de 15% do que superar 100% da variação do Ibovespa. Pensamos no fundo como uma empresa de participações e investimos em companhias abertas visando os dividendos. A estratégia é fundamentalista mas também buscamos aproveitar oportunidades de mercado.

Quais as maiores participações?
Nossa carteira vai de oito a 12 empresas. Atualmente as principais são Vale, Petrobras, B3, Alupar, Aliansce e Movida.

O que explica a tese de investimentos em shopping centers?
Essas empresas caíram muito devido à pandemia. Na nossa avaliação, elas ainda estão baratas e as perspectivas são positivas. Com o avanço da vacinação, as condições da economia devem melhorar e a circulação de pessoas deve aumentar. Esperamos um forte afluxo de pessoas na reabertura, pois há uma demanda reprimida. Na região Nordeste, em que a reabertura avançou, os shoppings estão vendendo mais do que venderam em 2019. Além disso, alguns shoppings realizaram avanços muito interessantes.

Quais?
As adaptações da atividade para o comércio eletrônico. Muitos shoppings se adaptaram. Por exemplo, fizeram parcerias com varejistas para a coleta de mercadorias vendidas. O cliente compra pela internet, o varejista coloca o produto em um depósito e o comprador pode retirar, sem precisar entrar no shopping. Quem compra um presente para ser entregue no mesmo dia pode usar esse sistema. Por isso os shoppings são a quarta maior posição do fundo.

E a tese para a Movida?
A empresa está capitalizada, tem R$ 4,5 bilhões em caixa. Ela possui 123 mil veículos e pretende ampliar essa frota para 350 mil unidades até 2025. Consideramos isso plenamente exequível, com a reabertura as empresas de transporte por aplicativos vão voltar com mais força, e mais companhias vão querer terceirizar suas frotas. E há outro ponto: no caso de empresas tributadas pelo lucro real, essa despesa é dedutível, o que vai interessar mais executivos se a proposta de reforma tributária passar como está.

BC APROVA CISÃO ENTRE ITAÚ E XP
O Banco Central (BC) aprovou a cisão entre Itaú Unibanco e XP. Os 41% da XP pertencentes ao banco serão colocados em uma empresa americana, chamada XPart, que pertence ao grupo econômico do Itaú, mas não faz parte do banco. Posteriormente, a XPart será extinta e o grupo ficará com as ações da XP. O Itaú deixará, então, de participar do Conselho de Administração da XP e a fatia dos controladores no capital votante chegará a 68,3%.

BTG PACTUAL LANÇA DOIS ETFS
O BTG Pactual lançou, na sexta-feira (23), dois Exchange Traded Funds (ETF). Um deles é o BTG Pactual Ibovespa B3 Fundo de Índice, que reproduz o Ibovespa e será negociado com o código IBOB11. O outro é o BTG Pactual S&P B3 Ingenius Fundo de Índice. Ele investe em ações de 15 empresas internacionais com bom potencial de crescimento listadas na B3 por meio de Brazilian Depositary Receipts (BDR). O fundo será negociado com o código GENB11.

MAGNETIS MIRA CLIENTES DE ALTA RENDA
A gestora Magnetis criou um segmento destinado aos investidores com patrimônio acima de R$ 1 milhão, visando permitir o acesso a fundos exclusivos ou fechados à captação. Por meio de um aplicativo, os clientes poderão investir sem pagar remuneração, com direito a receber 100% dos descontos concedidos pelos gestores às plataformas de distribuição. O aplicativo permite comparar a rentabilidade dos fundos com os principais indicadores do mercado.

EM ALTA
1,3%
foi a alta do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em julho, atingindo 82,2 pontos, maior valor desde os 82,4 pontos de 2020. Em médias móveis trimestrais, o índice subiu 3,2 pontos. Foi o segundo aumento após seis meses consecutivos de queda, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador demonstra que os consumidores começam a ficar mais confiantes pelo quarto mês consecutivo. No entanto, a situação atual continua mostrando as dificuldades de recuperação financeira, principalmente nas famílias de menor poder aquisitivo.

EM BAIXA
62,1%
Foi a queda no investimento direto estrangeiro (IDE) no Brasil em 2020, em comparação com 2019, segundo o World Investment Report 2021 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O País recebeu US$ 24,8 bilhões, ante US$ 40,2 bilhões de 2019. Para a América Latina, a queda nos investimentos foi de 45,4%, para US$ 87,6 bilhões. Quem sofreu menos foi o México, que teve uma redução de 14,7% nos investimentos estrangeiros diretos. A Unctad estima que os fluxos para a região seguirão baixos em 2021.