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Países do sul da Europa pedem divisão ‘justa’ de imigrantes

Países do sul da Europa pedem divisão ‘justa’ de imigrantes

Nicos Anastasiades, Pedro Sánchez, Emmanuel Macron, Joseph Muscat, Giuseppe Conte, Antonio Costa y Alexis Tsipras durante uma coletiva no Castelo de Auberge, em Valletta, em 14 de junho de 2019 - AFP

Os líderes dos países do sul da Europa defenderam nesta sexta-feira, em La Valeta, uma distribuição justa dos imigrantes que chegam pelo Mediterrâneo, no momento em que a Itália se recusa a receber um navio com emigrantes resgatados no mar.

Os líderes de Chipre, França, Grécia, Itália, Malta, Portugal e Espanha declararam que a União Europeia deve “garantir a aplicação efetiva do princípio de solidariedade e divisão justa da carga entre os Estados membros” da União Europeia.

O grupo aprovou ainda o princípio de um salário mínimo e uma proteção social básica em cada país europeu, assim como um orçamento de intervenção para a zona do euro.

“Trabalharemos por uma Europa Social”, afirmou o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, ao final do encontro.

“Queremos desenvolvimento econômico e competitividade, mas devemos redistribuir a riqueza para acabar com as desigualdades. Para conseguir isto, apostamos em um SMI [salário mínimo] europeu e em mais recursos para o orçamento da zona euro”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, acolheu com satisfação o acordo sobre o orçamento da zona do euro obtido no dia anterior entre os ministros das Finanças europeus, mas destacou que o valor é inferior ao desejado por Paris.

“Este primeiro passo não é suficiente, será preciso fazer mais”, declarou Macron.

As sete nações que se reuniram em Malta nesta sexta-feira representam cerca de 40% da população e do produto interno bruto da União Europeia e metade de sua costa, segundo Malta.

A declaração final da Cúpula faz um apelo para que “se amplie os esforços para romper o modelo de negócios dos contrabandistas, com o objetivo de se evitar as trágicas perdas de vidas” dos imigrantes.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, que assistiu à reunião, manifestou sua “frustração” pelo fato de a União Europeia “falar em solidariedade sem aplicá-la”.

Um navio de resgate da ONG alemã Sea Watch se encontra atualmente diante da ilha italiana de Lampedusa, no sul do país, com 53 emigrantes a bordo que foram resgatados diante da costa da Líbia e têm seu acesso negado aos portos italianos.

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, denunciou que os barcos de resgate impedem que a guarda costeira líbia recolha os emigrantes e os devolvam ao território líbio.

“Todos os navios que operam no Mediterrâneo devem respeitar as leis internacionais e não obstruir as operações da guarda costeira líbia”.

Ao menos 12 mil pessoas morreram desde 2014 tratando de fugir da Líbia em direção à Europa.