Entrevista

Federico Schumacher, presidente de América Latina do PayPal

Pagamento on-line é a chave para desenvolver o Brasil

Marco Ankosqui

Pagamento on-line é a chave para desenvolver o Brasil

A empresa americana de meios de pagamento digitais, com mais de 10 milhões de contas na América Latina, anuncia investimento de US$ 750 milhões em ações do Mercado Livre e procura novos parceiros para crescer

Valéria Bretas
Edição 22/03/2019 - nº 1113

No comando da operação de América Latina do PayPal desde julho de 2018, o mexicano Federico Schumacher acredita que o papel moeda deve perder cada vez mais força e que os pagamentos on-line dominarão as compras tanto no e-commerce quanto nas lojas físicas. “O Brasil é um grande exemplo de que mesmo em períodos de crise, o comércio eletrônico continuou crescendo”, disse Schumacher, em entrevista à DINHEIRO.

DINHEIRO — Na última semana vocês anunciaram a compra de US$ 750 milhões em ações do Mercado Livre. O que você pode nos contar sobre o que motivou a PayPal a fazer esse investimento?

SCHUMACHER – Neste momento, o que eu posso dizer é que estamos muito empolgados com esse investimento financeiro. Nos entusiasma a possibilidade de explorar novas oportunidades com o Mercado Livre, que é líder em algumas áreas.

DINHEIRO – Qual sua avaliação da confiança do brasileiro em fazer pagamentos on-line em relação a outros países?

SCHUMACHER – O pagamento on-line já acotece por aqui faz um bom tempo, algo que ainda é muito novo em outros países emergentes. Essa modalidade de pagamento, principalmente via e-commerce, vai inevitavelmente acontecer, mesmo que muitas pessoas ainda não tenham um computador em casa, por exemplo. Já está acontecendo.

DINHEIRO — Não são muitos os estabelecimentos comerciais que aceitam pagamentos on-line. Quando esse processo vai ganhar mais força?

SCHUMACHER – O Brasil já tem uma boa penetração dos pagamentos digitais. Esse processo já acontece com o Uber, 99, Rappi. São plataformas que as pessoas usam todos os dias. Vou te dar um exemplo: quando uma pessoa pede uma corrida no Uber, ela não precisa se preocupar com o pagamento porque ele se torna invisível. Essa ideia é fenomenal, principalmente para a experiência do usuário.

DINHEIRO – Na sua opinião, quais são os principais entraves para converter esse consumidor off-line?

SCHUMACHER – O primeiro desafio é com o custo dos aparelhos. Além disso, existem desvantagens em relação ao dinheiro vivo – ele não fica sem bateria e é aceito em qualquer estabelecimento.

“Estamos muito empolgados em explorar novas oportunidades com o Mercado Livre”O interesse do PayPal em adquirir ações da empresa é descrito como uma oportunidade de crescimento (Crédito:Divulgação)

DINHEIRO – Paula Paschoal, diretora-geral do PayPal Brasil, afirmou diversas vezes que tem horror a usar papel moeda. E você, ainda usa dinheiro vivo?

SCHUMACHER – Eu vim para São Paulo com apenas 30 reais na carteira. O papel ainda é uma realidade relevante para a sociedade de maneira geral. No entanto, o dinheiro eletrônico traz conveniência e uma grande economia de tempo. Acredito que o pagamento on-line é uma forma de democratizar a sociedade e que essa é a chave para o desenvolvimento aqui no Brasil e também na América Latina.

DINHEIRO – Então você acha que o dinheiro está chegando ao fim?

SCHUMACHER – O seu uso está em queda e não há dúvida de que isso vai acontecer cada vez mais. Contudo, se ele vai desaparecer ou não é difícil dizer, ele ainda tem algumas vantagens sobre outros modais.

DINHEIRO — Como vocês estão lidando com a entrada de novos players no mercado, como Visa Checkout, Masterpass e PagSeguro?

SCHUMACHER – Eles não são um problema. Competir faz parte da natureza dos negócios e nós estamos bem confortáveis com a nossa situação.

DINHEIRO — Há espaço para todos?

SCHUMACHER – Sim, existe. Todos os consumidores precisam ter escolhas na hora de fazer um pagamento.

DINHEIRO — E por que as pessoas deveriam escolher o PayPal?

SCHUMACHER – O PayPal é o jeito mais fácil, rápido e seguro de fazer pagamentos on-line. Isso só é possível porque nós construímos nos últimos dez anos uma plataforma que permite os consumidores criarem uma conta de forma bem rápida, mas que é extremamente segura. Já do ponto de vista do empresário, todos querem ter certeza de que não haverá nenhum tipo de problema com os pagamentos. Os comerciantes buscam uma forma de pagamento que ofereça segurança para os clientes, mas que também seja simples.

DINHEIRO — A parceria mais recente de vocês é com o banco Itaú. Qual é a expectativa com esse acordo?

SCHUMACHER – Não temos nenhuma meta específica que eu possa compartilhar, mas existe muito valor em fazer parcerias com diferentes tipos de companhias. O nosso propósito como empresa é com os pagamentos digitais e o objetivo do banco é administrar o dinheiro das pessoas. E essa é a grande sacada do negócio: O Itaú tem muitos consumidores que querem migrar para as compras on-line e nós temos uma plataforma global para ajudá-los nisso.

DINHEIRO – Vocês compartilham informações sobre os seus usuários com os bancos?

SCHUMACHER – Nós seguimos regulamentações muito severas, assim como os bancos também seguem. É por ese motivo que nunca compartilhamos dados sobre os nossos consumidores.

DINHEIRO – Como funciona a divisão financeira entre a PayPal e o Itaú?

SCHUMACHER – Nós não divulgamos essa informação por conta de cláusulas contratuais. O principal propósito dessa parceria não é sobre como dividimos o faturamento, mas sobre como trazer uma experiência melhor para o cliente.

DINHEIRO – Esse acordo limita parcerias com outros bancos?

SCHUMACHER – Nós não fazemos acordos exclusivos. Acredito que quanto mais parcerias tivermos, mais valiosos seremos. Estamos trabalhando o tempo inteiro para buscar novos parceiros no Brasil e em todo o mundo.

“O maior gatilho dos pagamentos on-line tem sido os smartphones”Aplicativos de transporte coletivo evidenciam como os pagamentos digitais se tornaram invisíveis no dia a dia do consumidor (Crédito:Hemant Mishra/Mint via Getty Images)

DINHEIRO – O PayPal se posiciona como um concorrente dos bancos e das fintechs?

SCHUMACHER – Eu acho que estamos mostrando que todos podemos colaborar de alguma forma. Nós somos uma das maiores fintechs do mundo e temos milhares de parcerias. É claro que, em algumas áreas, nós ainda competimos, mas está tudo bem com isso. Não podemos trabalhar juntos em tudo. O principal objetivo aqui é crescer e isso não é algo que uma empresa possa fazer sozinha.

DINHEIRO – Como o resolver os problemas de segurança?

SCHUMACHER – Essa sempre foi uma das nossas prioridades desde o primeiro dia de operação. Quando você não está cara a cara com o cliente é necessário passar a confiança de que o estabelecimento me garante algum tipo de segurança. A nossa empresa foi construída sob a ideia de que a informação não é compartilhada em todos os lugares e não fica guardada em diferentes servidores, pois, quanto mais informação você guarda, maior é a possibilidade de que ela seja roubada. Por esse motivo, investimos muito dinheiro criando infraestruturas para manter os dados seguros.

DINHEIRO – Qual o impacto dos celulares nessa modalidade de pagamento?

SCHUMACHER – Não há dúvida de que o maior gatilho dos pagamentos online tem sido os smartphones. Os celulares possibilitam que as pessoas fiquem conectadas o tempo todo. Antes você precisava ter um computador e havia um grupo limitado de pessoas nessa situação. Há cada vez mais pessoas acessando a internet pelo celular do que por outros tipos de aparelhos eletrônicos. Esse é um fator muito importante para ajudar os usuários a se adaptarem à ideia de que os pagamentos on-line são muito mais fáceis e práticos, seja na internet ou em uma loja física.

DINHEIRO – Qual é a estratégia atual de vocês para o Brasil?

SCHUMACHER – Crescer muito. Estamos extremamente focados na experiência do cliente com o celular. O Brasil é um grande exemplo de que, mesmo em períodos de crise econômica, como a que vimos nos últimos anos aqui, o e-commerce cresce. É dessa forma que enxergamos o futuro: crescimento constante, apesar do ambiente macroeconômico. Parte da nossa estratégia é olhar para os mercados em desenvolvimento e pensar em ações que sejam aplicáveis em outros países. Como uma companhia global, estamos interessados em trazer plataformas globais para os mercados locais, como o Brasil.

DINHEIRO – A entrada do novo governo ajudou nos negócios?

SCHUMACHER – Eu não sei se eu sou a melhor pessoa para responder essa pergunta. Entendo que existe uma série de discussões sobre reformas no País, o que até pode impactar nos nossos negócios de um ponto de vista macro. Se isso ajuda a situação em geral, nos ajuda também.

DINHEIRO – E qual a perspectiva da companhia para 2019?

SCHUMACHER – Nós estamos bem positivos. Ressalto, mais uma vez, que o e-commerce e os pagamentos digitais vão acontecer e esperamos que esse crescimento continue. Minha visão é de que esse mercado vai acelerar muito nos próximos anos.

DINHEIRO – Qual país latino americano apresenta o maior potencial de crescimento no comércio eletrônico?

SCHUMACHER – Toda a América Latina tem muito potencial para crescer, mas há um forte foco no Brasil neste momento.

DINHEIRO – E qual é a sua missão?

SCHUMACHER – Eu quero ser a primeira opção para os pagamentos on-line na América Latina.

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