Finanças

Pagamento de autônomos pode ser feito com ajuda de cadastro bancário

Crédito: AFP/Arquivo

Investidores em busca de um porto seguro migram para títulos do Tesouro em seus países (Crédito: AFP/Arquivo)


A medida do governo federal que prevê o pagamento de R$ 200 por mês para profissionais autônomos informais por um período de três meses – abril até junho – enfrenta problemas técnicos pela falta de cadastros desse público nos órgãos do governo. Mas sugestões da iniciativa privada, como a utilização de cadastros de instituições financeiras, podem amenizar boa parte desse contratempo.

“Muitos profissionais autônomos possuem contas correntes e de poupança nos bancos. Não sei se os bancos privados se interessariam em fazer os pagamentos, mas os bancos estatais – Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil – poderiam assumir essa função”, sugere Rodrigo Franchini, sócio da assessoria de investimento Monte Bravo.

+ Taxas fecham de lado, após subirem com comunicado do Copom e temor fiscal
Outra sugestão complementar aventada no mercado para o programa de estímulos do governo, para minimizar a recessão da economia, é a concessão de crédito a juros muitos baixos para informais, microempreendedores individuais e microempresas.

“Empréstimo a juro DI, com uma carência inicial para quem não terá renda nesse período pode ser viável para o Tesouro”, diz Franchini. O juro DI atual, com rentabilidade bruta de 3,65% ao ano, após impostos e taxas não cobre a inflação projetada para 12 meses.

Ele lembrou, que nos Estados Unidos, o governo irá pagar US$ 1 mil para cada cidadão americano. “A situação é tão desafiadora no mundo todo, que os hedge funds estão demandando ativos seguros, como títulos do Tesouro americano e cash [dinheiro], tirando da volatilidade. Aqui, não será diferente, pessoas físicas migrando para o Tesouro Direto e taxas pós-fixadas”, conta o sócio da Monte Bravo.

Visto por outro ângulo, investidores em busca de um porto seguro migram para títulos do Tesouro em seus países. E com isso, os diferentes governos – dos EUA ou do Brasil – podem conseguir recursos emitindo títulos para financiar programas de saúde e que minimizam impactos econômicos causados pela pandemia de coronavírus.

E quando a crise, por fim, terminar, as pessoas retomam o pagamento de seus empréstimos ou de impostos, e os investidores recebem seu dinheiro de volta, com segurança, sem juro real, no prazo de vencimento dos papéis.  É dessa forma que, no mundo capitalista solidário, quem tem capital pode ajudar quem não tem dinheiro por um determinado período.