Outono pede vinho de corpo médio

Outono pede vinho de corpo médio

Benildo Perini, na vinícola que leva seu sobrenome, em Farroupilha (RS) (Crédito: Eduardo Benini/Divulgação)

Vem bem a calhar nesta estação de clima ameno e com isolamento forçado um vinho como o Vitis Barbera, da Casa Perini. A vinícola de Farroupilha (RS) para mim está entre as que oferecem a melhor relação preço-performance do Brasil. Ele é elaborado a partir de vinhedos próprios plantados há 17 anos e que receberam um tratamento especial devido à especificidade da casta. “A gente tem experiência no cultivo tanto da Barbera quanto da Marselan, variedades pouco conhecidas na região”, diz Pablo Perini, diretor de marketing da empresa familiar fundada em 1929. Segundo ele, para garantir o vigor das parreiras, optou-se pela cobertura verde, na qual ervas não-daninhas cobrem parte da superfície entre as plantas, o que deixa o solo menos compactado e permite que as raízes se aprofundem.

Como nos demais rótulos da Casa Perini, a vinificação foi conduzida por Leandro Santini, eleito melhor enólogo de 2019 pela Associação Brasileira de Enologia (ABE). “Buscamos um estilo de vinho mais fresco, com muita fruta, e por isso não usamos madeira”, afirma Pablo. O resultado é uma bebida de corpo médio, sem tanta potência, mas com taninos redondos e acidez equilibrada, que realmente impressiona. Como as degustações (e demais eventos coletivos) estão suspensas devido ao isolamento necessário durante o surto de coronavírus, abri em casa uma garrafa de 2017. A harmonização seguiu um conselho do contra-rótulo: molho de tomate. Preparei um espaguete integral à bolonhesa: tomate Carmem, uma mistura de três carnes (patinho, fraldinha e linguiça toscana passada no processador), tudo refogado no azeite, alho e cebola e temperado com um pouco de manjericão fresco. Até o molho ficar pronto eu já havia bebido uma taça e pude sentir a evolução dos aromas depois de uma hora de garrafa aberta, a cerca de 17 graus na taça (o vinho tem 12,5% de álcool).

Uva típica do Piemonte, a Barbera ganhou fama nas regiões de Alba e Asti, que lhe emprestam seus mais conhecidos “sobrenomes”. No Vale Trentino, que fica na divisa de Farroupilha e Caxias do Sul e onde a uva mais popular é a Moscatel, a Barbera demorou para revelar sua tipicidade. Foram 12 anos do plantio das mudas até que as uvas gerassem grandes vinhos. Agora eles estão em sua plenitude, e a safra 2017, pronta para beber. Vendido ao consumidor final por R$ 67,50 no site da Casa Perini, o Vitis Barbera 2017 mereceu 90 pontos do “Guia Descorchados 2020”.

Vitis Barbera 2017
Vitis Barbera 2017 (Crédito:Divulgação)

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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