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Os vinhos e a força do rugido

“Hear me roar” é o nome de um novo vinho australiano, elaborado apenas por enólogas, com o objetivo de financiar a carreira de mulheres na indústria do vinho na Austrália

Os vinhos e a força do rugido

“Hear me roar”, ou na tradução literal do inglês, ouça-me rugir. Tão masculino, para quem pensa nos imponentes leões em suas selvas; mas tão feminino, quando o convite é escutar as demandas das mulheres, também no mundo do vinho. A expressão (ou o pedido) é o nome de um novo vinho australiano, elaborado apenas por enólogas, com o objetivo de financiar a carreira de mulheres na indústria do vinho na Austrália.

E é com a história deste vinho que eu começo a minha segunda série sobre as mulheres e o vinho (*). Se no passado o universo do mundo era notadamente masculino, esta realidade vem mudando pouco a pouco e há (ao menos na minha opinião) boas histórias, vinhos e conquistas de mulheres para contar neste fascinante universo de brancos e tintos.

O projeto australiano nasceu na safra de 2018, dentro da associação Women in Wine Awards. A shiraz foi a variedade escolhida para elaborar o vinho, que acabou de ser engarrafado. Quatro conceituadas enólogas do país participaram da sua elaboração: Sue Hodder, da Wynns Coonawarra Estate; Emma Norbiato, da Calabria Family Wines; Rebekah Richardson, da Irvine Wines, e Corrina Wright, da Oliver’s Taranga.

Segundo a Women in Wine Awards, desde 2015 a organização defende a igualdade de gênero na indústria do vinho e celebra as conquistas das mulheres no setor vitivinícola, mas há muito mais a fazer. A venda do tinto é uma forma de conseguir recursos para financiar estes projetos. Pelo site, a venda mínima é de seis garrafas, por 180 dólares australianos.

As mulheres e o vinho

Durante todo o mês de março posto aqui as mais diversas histórias de mulheres no mundo do vinho. Em 2018 foram 23 textos de personalidades e épocas diferentes e em 2019 continuo a tradição. Adorei pesquisar e conhecer mais sobre estas pessoas e seus desafios. Confira, a seguir, quais foram estas mulheres.

2019

2018

– Dona Antónia Ferreira, a querida dona Ferreirinha, que tanto fez pela região do Douro e, por que não, por Portugal

– Barbe-Nicole Clicquot, mais conhecida como a Veuve Clicquot

– Jancis Robinson, a inglesa mais influente do mundo do vinho com o seu www.jancisrobinson.com

– Laura Catena, a argentina que investe nas pesquisas para conhecer e elaborar vinhos de qualidade, na vinícola Catena Zapata

– Lalou Bize-Leroy, a polêmica e competentíssima produtora da Borgonha

– Serena Sutcliffe e os leilões de vinho

– Maria Luz Marín, a chilena pioneira no vale de San Antonio, no Chile.

– Mônica Rossetti, brasileira que atualmente trabalha na Itália. Ela tem papel primordial na história da vinícola gaúcha Lidio Carraro

– Natasha Bozs, uma das primeiras enólogas negras da África do Sul, da Nederburg

– Elena Walch, a arquiteta que virou enóloga e hoje tem sua própria vinícola no Alto Adige

– Véronique Drouhin-Boss, a francesa da quarta geração da domaine Drouhi

– As associações de mulheres e vinhos já existem em 10 regiões francesas

– Lorenza Sebasti, proprietária da vinícola italiana Castello di Ama

– Fabiana Bracco, da Bracco Bosca, que tanto faz pelo vinho uruguaio que pode ser considerada a embaixadora do país

– A portuguesa Filipa Pato, dos vinhos da Bairrada

– Lis Cereja, a brasileira que mais e melhor levanta a bandeira do vinho natural no Brasil

– Féminalise, um concurso de vinhos francês que só tem juradas

– Albiera Antinori, a primeira mulher a dirigir a tradicional vinícola italiana

– Susana Balbo, a pioneira nos vinhos argentinos

– Cecília Torres, a primeira mulher nos vinhos chilenos com o Casa Real

– Ludivine Griveau, que dirige os vinhos do Hospice de Beaune, na Borgonha

– A dupla de amigas e enólogas portuguesas Sandra Tavares e Susana Esteban

– Patricia Atkinson, e a sua aventura de elaborar vinhos franceses


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