Estilo

Os vinhos dos astros

É cada vez maior a quantidade de grandes estrelas do mundo artístico que têm sua própria vinícula, como Madonna, Drew Barrimore, Antonio Banderas, entre outros. E eles produzem rótulos de excelente qualidade.

Crédito: Mark Ralston

O poderoso faraó Tutancâmon adorava tomar uma boa taça, enquanto admirava as pirâmides do Egito. Já o grego Alexandre O Grande ia muito além de alguns goles e bebia até, literamente, cair. O gênio italiano Galileu Galilei gostava de desenvolver suas pesquisas tendo sempre à mão uma garrafa de tinto. É dele a poética frase: “O vinho é composto de humor líquido e luz”. Até Jesus reconhecia o seu valor, ao ponto de transformar água em vinho, para a alegria dos convidados de uma festa. Não é de hoje que grandes nomes da história evidenciam seu apreço pela bebida que a mitologia grega aponta como sendo obra do deus Dionísio – ou Baco. E as estrelas do mundo pop também estão nessa lista. Não apenas como consumidores, mas também como produtores. A relação de astros internacionais que possuem a própria vinícola é grande e inclui nomes de peso, como Madonna, Drew Barrimore, Sting, entre outros. Além de enriquecer o mundo com seus dotes artísticos, eles também dão uma bela contribuição etílica.

DREW BARRYMORE

Divulgação

Queridinha de Hollywood, a americana Drew Barrymore apareceu pela primeira vez ao mundo no filme ET, quando tinha 7 anos. Hoje, aos 45, é atriz consagrada e também produtora de vinhos. Em 2012, ao decidir que fabricaria a bebida, levou a coisa a sério. Viajou para a Itália – que produz os seus rótulos preferidos –, com a missão de encontrar um vinho vivo, seco e frutado. Mas tinha de ser feito com pinot, sua uva predileta. “O vinho é como uma jornada: o que vale é o caminho e a chance de descobrirmos novos lugares, pessoas e variedades de uva”, já disse Barrymore. Ao voltar da viagem, ela comprou uma vinícola na região de Monterey, na Califórnia, onde produz vinhos refrescantes.

Entre os rótulos com sua assinatura, uma bela opção é o Drew’s Blend Pinot Noir 2014 (R$ 273, na worldwine.com.br), com forte presença de frutas vermelhas – como morango e cereja – e notas de especiarias, esse blend foi criado a quatro mãos pela própria atriz e pelo celebrado enólogo havaiano Kris Kato. Antes de chegar à garrafa, a bebida passa oito meses em barricas de carvalho. O vinho tem sabor leve, boa acidez e harmoniza bem com carnes, aves e bacalhau. E a belíssima Drew, claro, adora.

ANTONIO BANDERAS

 

Em 2009, o ator espanhol já era considerado um dos mais talentosos do cinema mundial, quando entrou no ramo dos vinhos. Nascido na cidade de Málaga, na fabulosa Andaluzia, ele comprou uma vinícola na região de Ribera del Duero, mais ao norte. Ali, a uva predominante é a tempranillo, excelente para a produção de tintos, de ótima adaptação a diferentes climas e solos e bastante cultivada em outros países, como Argentina, Austrália e Estados Unidos. Para as pessoas mais próximas ao ator, não foi surpresa. Banderas sempre se declarou um apaixonado pela cultura do vinho. Batizada de Anta Banderas, a empresa produz mais de 1 milhão de garrafas por ano, comercializadas em toda a Espanha e em cerca de 15 países. Quando não está filmando, o ator gosta de acompanhar todo o processo de produção e costuma opinar na elaboração da bebida. Um dos seus preferidos é o Anta Banderas 2006 (em torno de R$ 700), um tinto encorpado, feito a partir de cachos selecionados de cabernet sauvignon, merlot e tempranillo. Elogiado pela crítica especializada, tem coloração vermelha e brilhante e aroma com notas doces, especiarias e madeira.

STING

 

O cara tem um castelo, é ambientalista, já recebeu o título de Sir do Império Britânico, vendeu mais de 200 milhões de discos, ganhou 16 vezes o Grammy e foi o líder de uma das bandas mais importantes da música mundial, o Police. Estamos falando do senhor Gordon Matthew Thomas Sumner, mais conhecido como Sting. O que pouca gente sabe é que o garoto que nasceu pobre num subúrbio da pequena cidade de Wallsend, na Inglaterra, também é um grande apreciador e produtor de vinhos. Há quase dez anos, ele comprou a vinícola Tenuta Il Palagio, um pedaço de terra de 350 hectares, na região da Toscana, na Itália. Para entrar no negócio sem fazer feio, contratou o celebrado enólogo italiano Paolo Caciorgna e o chileno Pedro Parra, especialista em terroir. Sting encontrou uma maneira curiosa de unir suas duas paixões, ao decidir batizar todos os vinhos que produz com nomes de músicas. Seu rótulo mais conhecido e respeitado é o Sister Moon (cerca de R$ 600), uma mistura de carbenet sauvignon, merlot e sangiovese. Amadurecido por 24 meses em barricas novas de carvalho francês, tem coloração vermelho-rubi e aroma com notas de frutas vermelhas e madeira. Perfeito para saborear ouvindo os sucessos do Police.

MADONNA

 

Até a rainha do pop se curvou ao poder do vinho. Em parceria com seu pai, o empresário Silvio Ciccone, a cantora fundou a Ciccone Vineyard and Winery, em Michigan, nos Estados Unidos. A vinícola começou a operar em 1996, numa área de 5 hectares. Ali, a equipe da pop star planta cabernet franc e sauvignon, pinot noir e grigio, chardonnay e dolcetto. Com todos os seus vinhos engarrafados no próprio local, a Ciccone tem como um dos produtos mais vendidos o tinto Dolcetto 2017, envelhecido em carvalho americano e francês e que custa cerca de R$ 250. É leve e seco, com notas de morango e carvalho. Mas é claro que o pai da estrela não perderia a chance de usar a imagem da filha em algumas garrafas. Em 2005, papai Ciccone colocou no mercado, em edições limitadas, vinhos com rótulos ilustrados com fotos da cantora. Em poucos dias, foram todos vendidos. Muitos compradores, no entanto, nem sequer abriram a garrafa. Compraram só para ter na estante o vinho com a imagem da Material Girl.

PINK FLOYD, ANGELINA JOLIE, BRAD PITT E UM ROSÉ DE 2,6 MIL EUROS

 

Mais que ser um vinho de grife, o Miraval tem uma história fantástica. Ele é produzido em uma sociedade que envolve duas das maiores estrelas de Hollywood (Angelina Jolie e Brad Pitt) e um sobrenome que é uma lenda na região francesa da Provence: Marc Perrin. Integrante da quinta geração da família que controla o prestigiado Château de Beaucastel, ele se acostumou a receber as maiores pontuações do mundo do vinho (o Chateauneuf-du-Pape Hommage a Jacques Perrin obteve 100 pontos de Robert Parker nas safras 2007, 2010 e 2017). O trio formou a vinícola Jolie-Pitt & Perrin, adquirindo um antigo vinhedo onde, na década de 1970, o pianista Jacques Loussier montou um estúdio de gravação usado pelo Pink Floyd e por Sting. Não por acaso, um dos rótulos tem o nome Studio. Adquirida como residência de verão pelo casal Brangelina, a propriedade manteve a tradição dos bons vinhos. No ano passado, uma garrafa magnum da linha Muse 2018 foi leiloada no Festival de Cinema de Cannes e bateu o recorde de preço para um rosé ao ser arrematado por 2,6 mil euros (valor doado à GoodPlanet Foundation). Uma versão mais simples está ao alcance dos brasileiros por um preço nada abusivo (R$ 332, na World Wine). Elaborado com as uvas cinsault, grenache noir, syrah e rolle, o Miraval Rosé entrou para a lista dos 100 melhores da revista Wine Spectator (safra 2012). De cor salmão, tem buquê de frutas vermelhas frescas e flores brancas, que antecipam a boa acidez na boca. Leve e refrescante como convém ao seu estilo, ele não cansa como muitos dos rosés da Provence. Mas cuidado: sua delicadeza mascara os 13% de álcool, que de gole em gole podem se tornar perigosos. Quem esperaria algo pouco impactante de Angelina Jolie e Brad Pitt?