Os vinhos de dois mestres portugueses


João Portugal Ramos (à esq.) e José Maria Soares Franco: juntos pelo que o Douro pode oferecer de melhor
João Portugal Ramos (à esq.) e José Maria Soares Franco: juntos pelo que o Douro pode oferecer de melhor

 

Eles se conhecem desde a infância. Seus pais já era amigos, assim como seus avós. Nasceram na mesma Lisboa, estudaram na mesma escola e se formaram enólogos no mesmo instituto. De lá, um deles foi trabalhar na região do Douro. Corria o ano de 1979 quando José Maria d’Orey Soares Franco ingressou na Casa Ferreirinha. Por 28 anos trabalhou em grandes vinhos
do Porto e no mítico Barca Velha, talvez o mais prestigiado de todos os tempos em Portugal. Passaram-se quase três décadas até que o destino o reaproximasse do velho amigo, João Portugal Ramos, àquela altura já um estabelecido e renomado produtor, com vinhedos e vinícolas no Alentejo, nas Beiras e na região de Vinhos Verdes. Juntos eles criaram um projeto
para fazer história com a marca Duorum, cujas atividades foram iniciadas em 2007.

“Desde o começo sabíamos que queríamos criar um vinho com equilíbrio e harmonia entre maturação e frescura, que seja gastronômico, que é o perfil da nossa marca”, afirmou José Maria ao conduzir uma degustação de seus vinhos em São Paulo, na terça-feira 10. “É a primeira vez que fazemos essa prova vertical fora de Portugal”, declarou, antes de comentar suas impressões sobre as quatro safras do Duorum Reserva Vinhas Velhas: 2008, 20011, 2015 e 2017. “É interessante ver como o vinho evoluiu, não apenas pelo tempo que passou entre uma safra e outra, mas pelo quanto aprendemos a cada ano.

O de 2015 obteve 93 pontos do crítico Robert Parker. No que depender do enólogo, contudo, ele será superado pelo 2017, ainda jovem demais para exibir todas as suas qualidades. “Foi um ano fácil, 2017. Tudo correu bem, as uvas estavam excelentes”. No conjunto, apesar das sutis diferenças de cada ano, trata-se de um vinho generoso, que revela o respeito dos produtores à região demarcada do Douro, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial, e seus vinhedos centenários. Com um corte no qual predominam as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Souzão, o Duorum Reserva é intenso e complexo, e merece ser conhecido. Importado pela Casa Flora, ele é encontrado no Brasil na faixa de R$ 420.

 

O Duorum Reserva Vinhas Velhas 2015: intenso, complexo e merecedor dos 93 pontos que obteve de Robert Parker
O Duorum Reserva Vinhas Velhas 2015: intenso, complexo e merecedor dos 93 pontos que obteve de Robert Parker (Crédito:João Portugal Ramos Vinhos/Divulgação)

 


Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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