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Os vinhos chilenos miram o mercado brasileiro

Na estratégia do Wines of Chile, entidade privada que reúne 85 vinícolas do país, o Brasil está entre os três países prioritários. Nosso país está junto com China e Estados Unidos no destino das ações e dos recursos chilenos para a promoção do seu vinho

Os vinhos chilenos miram o mercado brasileiro

Vinhedos em San Antonio, vale chileno que sofre as influências do oceano Pacífico - Wines of Chile/Divulgação

No ranking dos vinhos importados para o Brasil, o Chile está na liderança absoluta há mais de dez anos. Seu recorde de participação foi em 2016, quando os rótulos do país andino representavam 49,2% de mercado de vinhos importados, em volume. Em 2018, os brancos e tintos do país andino corresponderam a 46% do total das nossas importações, o que equivale a 67 milhões de garrafas. Portugal e Argentina, que se revezam entre o segundo e o terceiro lugar nos últimos anos, não chegam a 20% cada de participação neste segmento.

Mas o Chile quer mais. Em passagem pelo Brasil, Angélica Valenzuela, diretora comercial da Wines of Chile, contou que a entidade está aumentando, significativamente, o montante de recursos destinados a promover o vinho chileno em solo brasileiro. “No ano passado, o Brasil representava 8% de nossos recursos, neste ano, serão 15%”, conta ela.

Na estratégia do Wines of Chile, entidade privada que reúne 85 vinícolas do país, o Brasil está entre os três países prioritários. Nosso país está junto com China e Estados Unidos no destino das ações e dos recursos chilenos para a promoção do seu vinho, apesar de ocupar a quinta posição entre os maiores mercados para os brancos e tintos do país. Atualmente, o mercado interno chileno absorve 25% dos vinhos elaborados no país. Em seguida vem os mercados externos, pela ordem: China, Estados Unidos, Japão, Inglaterra e, então, Brasil.

Entre as razões para apostar e, principalmente, investir no Brasil, está o fato de o brasileiro ser muito aberto ao vinho do país. “O brasileiro tem a imagem que o nosso vinho é muito bom”, afirma a executiva e acrescenta: “Somos líderes em seu país, e o líder tem também a função de fazer o mercado crescer.” No caso, ela se refere ao pífio consumo de 1,9 litro per capita que o brasileiro consome por ano.

Nesta nova fase, a estratégia não é apenas crescer por crescer e ganhar participação de mercado. O Chile quer também e, principalmente, vender os seus vinhos mais caros em nosso mercado. Atualmente, a média de preço do vinho importado é de US$ 27,90 FOB, na caixa de 12 garrafas, que entra no Brasil. Mas se analisado apenas o vinho chileno, esta média é de US$ 26,50. “Temos vinhos bons e de maior agregado, que o brasileiro precisa conhecer”, afirma a executiva.

A estratégia passa por mudar o mix dos vinhos chilenos importados para o Brasil. Na prática, isso significa um esforço do país andino de não focar apenas nos seus rótulos batizados de “reservado”, de baixo preço e, não raro, também de baixa qualidade, e focar naqueles rótulos que mostram todo o potencial dos produtores chilenos. E há vários destes vinhos no país andino.


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