Dinheiro em foco

“Os setores que dependerem da interação social vão continuar mal”

Crédito: Fabio Risnic

Quem é é Paulo Gala: Economista pela USP. Mestre e doutor em economia pela EESP/FGV. Estrategista da Fator Corretora entre 2012 e 2014. CEO da Fator Administração de Recursos. (Crédito: Fabio Risnic)

As economias ao redor do mundo, Brasil inclusive, deverão continuar convivendo com juros baixos
e liquidez farta. Isso alterou profundamente o cenário para os preços dos ativos financeiros. Paulo Gala, CEO da gestora de recursos do grupo Fator, avalia o impacto sobre os investimentos.

Como o senhor vê o cenário para os investimentos em 2021?
No primeiro semestre deveremos continuar convivendo com juros baixos, uma taxa referencial Selic ao redor de 2% ao ano e a inflação medida pelo IPCA rodando ao redor de 4,5% ao ano. Ou seja, os juros reais deverão permanecer negativos.

Isso pode mudar?
Não no curto prazo. O cenário de juros baixos deve prevalecer, devido ao cenário de crescimento baixo. O Banco Central (BC) pode estar incomodado com os juros reais negativos, mas não deve realizar um choque de juros, elevando a taxa real para zero.

Por que não?
Porque a economia não deve dar grandes sinais de recuperação. Devemos continuar vendo a inflação abaixo do centro da meta. A demanda está fraca, isso deve continuar ao longo de 2021 e se estender até 2022. O mais grave deve ser o fim do auxílio emergencial, que poderá ter um efeito devastador sobre a economia. E os setores que dependerem da interação social vão continuar mal.

O senhor não espera uma recuperação dos mercados internacionais?
Acredito que o cenário internacional e o brasileiro não serão muito diferentes. Ainda vai levar tempo para que os empregos perdidos durante a pandemia sejam recuperados. Deveremos vivenciar dois anos de juros muito baixos, no Brasil e no mundo.

Por isso os preços dos ativos devemcontinuar subindo?
Sim. Os juros reais negativos mudaram completamente o cenário dos investimentos no mundo.
O cenário de juros “folgados” está empurrando tudo para cima, dos preços dos imóveis às cotações das ações. E há uma liquidez sem precedentes. Foram US$ 10 trilhões injetados na economia devido à pandemia.

Isso vale também para o Brasil?
Vale. Vimos um forte aumento nas atividades da construção civil e também nos preços dos imóveis. Foi quase uma explosão no mercado imobiliário. O retorno do investimento com aluguéis, em alguns casos, supera as taxas dos financiamentos imobiliários.

Os investimentos imobiliários vão continuar rendendo bem?
Tudo indica que sim. Há liquidez, e há demanda. No segmento imobiliário é possível encontrar
aplicações de boa qualidade, cuja remuneração é de 8% ao ano mais a variação da inflação. Dificilmente se encontra algo parecido na dívida corporativa ou em títulos do Tesouro.

TECNOLOGIA
Aplicações em Venture Capital saltam 75% 

As aplicações em Venture Capital no Brasil saltaram para US$ 700 milhões no quarto trimestre, crescimento de 75% em relação aos US$ 400 milhões registrados no trimestre anterior, segundo levantamento da consultoria KPMG. Foi a terceira alta trimestral consecutiva. Já em termos globais, onde não há dados para o quarto trimestre, a alta foi de 16,4% no período entre julho e setembro, avançando para US$ 73,2 bilhões ante os US$ 62,9 bilhões do segundo trimestre. Só as Américas receberam US$ 40 bilhões, sendo US$ 37,8 bilhões nos Estados Unidos.

SAÚDE
Grupo Einstein investe em fintech

A fintech Mitfokus, que gerencia as finanças e a contabilidade de profissionais da área de saúde, recebeu investimento de valor não divulgado do Eretz.bio, incubadora vinculada ao grupo hospitalar Albert Einstein. Fundada em 2017, a Mitfokus atende cerca de 1,5 mil empresas da área de saúde no Brasil. Seu foco são os médicos que possuem uma pessoa jurídica. Na avaliação da fintech, esse universo tem 1,2 milhão de profissionais no País.

Número da semana
25,46% 

Foi o aumento da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em 12 meses. Esse percentual considera a segunda prévia do Índice, que indicou uma inflação de 2,37% no segundo decêndio de janeiro, ante 1,18% do mesmo período de janeiro. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 3,08% no segundo decêndio de janeiro, ante 1,17% no segundo decêndio de dezembro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0,42% mesmo período de janeiro, contra 1,23% no mesmo período de coleta de dezembro. E o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,97% nos 20 primeiros dias de janeiro. “A aceleração dos preços de commodities importantes componentes do IPA justificam a aceleração do índice ao produtor e sua influência na taxa do IGP-M”, disse o Coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz.

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