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Os planos ESG miram 2050, mas a catástrofe do clima é imediata

Crédito: Istockphotos

Se nada for feito imediatamente, o planeta sofrerá com um aumento de 1,5º C na temperatura até 2030 (Crédito: Istockphotos)

Em um dos relatórios mais sombrios da última década, o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) indicou que algumas consequências do aquecimento global já são “irreversíveis”. O documento aponta ainda que, se nada for feito imediatamente, o planeta sofrerá com um aumento de 1,5 grau na temperatura até 2030. Mesmo diante da urgência apresentada, a cada dia que passa, fica mais evidente que a preocupação com boas práticas ESG (ambiental, social e de governança) por empresa e governos não passa – geralmente – de conversa para render manchetes nos jornais, publicidade ou posts em redes sociais.

Os indícios estão nas divulgações feitas pelos próprios autores das supostas práticas de promoção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável. Duas medidas adotadas na comunicação corroboram para a tese. A primeira é a evidente falta de governança. Muitas das empresas não revelam, nem espontaneamente e nem quando questionadas, o quanto investirão de recursos financeiros nas iniciativas propostas. Ao não revelar o valor, as companhias falham na transparência e impedem análises mais profundas sobre se as boas práticas são equivalentes ao impacto que provocam e ao tamanho que possuem.

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Além disso, prometem como data para o cumprimento das ações os anos de 2030, 2050 e até 2060. O fazem sem, ao menos, trazer submetas que possam ser monitoradas e cobradas a cada ano do intervalo. Com poucas chances de que os CEOs ou dirigentes estejam nos cargos ao fim do tempo estipulado, a sociedade terá pouco espaço para cobrar a quem de direito as promessas feitas.



O mau exemplo começa com os próprios países signatários do Acordo de Paris. No Brasil, Jair Bolsonaro se comprometeu a alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Mesmo prazo dado pelos Estados Unidos. Já a China avisou que só o fará em 2060. Mas, em vez de se moverem na direção apontada, acumulam atitudes contrárias. No Brasil, o índice de desmatamento da Amazônia é o pior em 20 anos. A China reabriu mais de 50 minas de carvão nos últimos três meses. Já nos EUA, o governo Joe Biden entregou ao menos 2,1 mil autorizações para exploração de combustível fóssil em apenas seis meses – volume que a imprensa americana diz ser equiparável ao da gestão de George W. Bush.

Mas a enganação continua. No exemplo mais recente, o New York Times da quarta-feira (8) trouxe a notícia de que o presidente americano ​​anunciou que ao menos a metade do consumo de energia do País será de fonte solar até 2050. De novo 2050! Para colocar o plano geral de descarbonização da economia de pé, luta para que o Congresso aprove um plano de US$ 3,5 trilhões. O número é tão gigantesco que cobrar a governança sobre ele será tarefa hercúlea.

Aos governos, somam-se centenas de empresas que alardeiam serem “ESG na veia”, ou terem o “ESG no DNA estratégico da companhia” com promessas vazias, sem consistência, planejamento ou sequer estudo de materialidade (fatores ESG que trazem riscos para a empresa). Nem mesmo as listas em bolsa escapam do caminho mais fácil. De acordo com o estudo “Divulgações de ESG no Ibovespa”, feito pela PwC e Ibracon, 43% das empresas do Ibovespa não tiveram dados de ESG verificados por parte independente. Ou seja, a empresa cria, divulga, mede e audita ela mesma compromissos que estão assumindo com acionistas e sociedade.

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