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Os novos voos do vinho da Kombi e a fórmula que equilibra produtos de alta qualidade a preços acessíveis

Perto de completar duas décadas do plantio de seus primeiros vinhedos, a vinícola Routhier & Darricarrere planeja lançar novos rótulos com a peculiar uva Petit Manseng

Crédito: Divulgação

O rótulo foi criado pela publicitária e designer Gabriela Puhl, que encomendou a ilustração a um ucraniano que vive na Irlanda. O que ele retrata, ainda que em traços surrealistas, é uma cena da Campanha Gaúcha: um vinhedo cercado de plantações de laranja onde uma perua Kombi vermelha, modelo 1972, alça voo acoplada a um misto de balão e paraquedas. “O rótulo conta um pouco da nossa história”, afirmou o enólogo Anthony Darricarrere, 40 anos, um dos sócios fundadores da vinícola e marido de Gabriela. A Kombi era usada por seu avô para vender frutas por toda a região Sul do País. A produção de cítricos foi o que fixou a família em Rosário do Sul (RS), em uma propriedade 400 hectares dos quais sete são de vinhedos. Com uma coleção de 15 variedades de uvas cujo plantio foi iniciado em 2002, eles fornecem toda a matéria-prima usada pela vinícola para produzir vinhos inovadores e de alta qualidade, sempre a preços jutos. A produção atual é de 30 mil garrafas, em oito rótulos.

APROVADOS A partir da esquerda, o R&D Cabernet Sauvignon 2020 (R$ 60); o branco Marie Gabi Petit Manseng 2021 (R$ 72) e o Salamanca do Jarau 2018 (R$ 142), que está no menu do DOM. (Crédito:Divulgação)

Há quase uma década, eles têm agradado não apenas a crítica como grandes chefs de cozinha. Alex Atala, do DOM, incluiu o Cabernet Sauvignon Salamanca do Jarau em seu menu degustação. As cartas do Cipriani, no Copacabana Palace, e da histórica Fazenda Capoava, em Itu (SP), também oferecem vinhos que nasceram da ousadia do enólogo formado em Bento Gonçalves (RS) e que já fez estágios com Robert Mondavi, na Califórnia, e vindimas na região de Bordeaux, na França. “Quando voltei dos Estados Unidos precisei reaprender tudo. O clima de Napa Valley é desértico e os vinhos de lá precisam de muito tempo para ficarem bons. Aqui eles têm taninos mais doces e macios”, disse Darricarrere. “Buscamos a sutileza, a delicadeza. E a Campanha Gaúcha se mostrou uma região excepcional para fornecer uvas com essas características.”

O ENÓLOGO Anthony Darricarrere com a esposa, Gabriela Puhl, publicitária e designer dos rótulos da vinícola, e os filhos do casal. Ele estagiou com Robert Mondavi na Califórnia antes de iniciar a produção própria (Crédito:Divulgação)

LARANJA Entre as variedades que ele cultuva está a Petit Manseng, originária da mesma região da França de onde os Darricarrere emigraram. Ela rendeu um dos recentes sucessos da vinícola: o branco Marie Gabi, que acaba de chegar ao mercado em sua terceira safra, a R$ 72. “Ninguém havia engarrafado essa uva no Brasil. Em 2020, vendemos 2,2 mil garrafas. Este ano serão 4,5 mil”, afirmou o diretor comercial e também sócio Julio Gostisa. Para ele, o vinho “lembra Chardonnay misturado com Riesling”. A Petit Manseng virá em dois novos produtos: um vinho laranja e um fortificado, ainda sem data de lançamento. Até maio, chegará ao mercado um tinto de corte bordalês (Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvigon). “Separamos as melhores barricas para esse vinho, que irá expressar todo o potencial do terroir”, disse Darricarrere. Enquanto as novidades não chegam, vale provar pelo menos os três que marcaram a história da vinícola: o R&D tinto, o Salamanca do Jarau e o Marie Gabi.