Economia

Os negócios suspeitos do filho 04

Jair Renan Bolsonaro ainda não entrou para a política. Isso até poderia ser uma boa notícia, exceto pelo fato de que, como empresário, ele atue da mesma forma que o restante da família e se apoie em objetivos duvidosos.

Crédito: Pedro Ladeira

“Fala comigo, seus betas. Chega aqui que eu vou te ensinar a ser alfa”. É com essa frase que Jair Renan Bolsonaro reativou, no último mês, seu canal no YouTube. A imersão no mundo digital do filho 04, como é chamado pelo pai, se dá paralelamente ao início de suas atividades no mundo da produção de conteúdo e de eventos. No final de 2020, ele lançou a empresa Bolsonaro Jr Eventos e Mídias. Nada disso foi por acaso. Aos 22 anos, o único do clã que não está envolvido diretamente com a política tem função importante nos planos do pai. Trata-se de construir uma persona digital para competir com vozes dissonantes às do governo Bolsonaro. Mas a vida de influencer do rapaz que se autodenomina “o comedor do condomínio Vivendas da Barra” começou conturbada. Por ser filho do presidente, era de se esperar que ele recebesse patrocínios fartos e serviços gratuitos. Só que os negócios nos quais ele se envolveu estão repletos de suspeitas.

Toda o registro feito em vídeo e fotos da inauguração de sua empresa foi fornecida por uma produtora de conteúdo digital que presta serviços para o governo federal. O trabalho, como era de se imaginar, não custou nada para os bolsos dos Bolsonaro.

À época, Frederico Borges de Paiva, proprietário da Astronautas Filmes, afirmou que o serviço foi feito em troca da divulgação de sua marca, o que não caracterizaria nenhum tipo de infração legal. Só que a empresa já firmou ao menos seis contratos de peças publicitárias com o governo federal em 2020, com valores contratuais que superam R$ 1,4 milhão, segundo o portal da Transparência. O Partido Novo requereu do Ministério das Comunicações um posicionamento sobre a atuação da empresa, ao considerar que havia um conflito de interesses por ela prestar serviços ao governo federal e fazer serviços gratuitos para o filho do presidente. Sobre o tema, a pasta informou apenas que esse tipo de fiscalização não está entre suas atribuições Constitucionais.

BÊNÇÃO DO PAPAI E se o nascimento da empresa foi polêmico, o caminho até lá também foi rodeado de críticas. Em setembro de 2020, perto da inauguração de sua produtora, Renan visitou Vitória, capital do Espírito Santo. O objetivo era atrair empresários para uma parceria em sua nova jornada. Interessados não faltaram. Formou-se uma fila de representantes de empreiteiras, empresas de tecnologia e de mídia. Até a administradora do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, onde funciona a sede da Bolsonaro Jr, ofereceu ao filho do presidente um desconto no aluguel do espaço. Todas elas entraram no barco do filho 04. E as benesses parecem ter dado resultado. Em condição de anonimato, assessores técnicos do ministério da Economia confirmaram à reportagem da DINHEIRO que ao menos dois empresários conseguiram, por meio da interlocução de Renan, apresentar projetos e parcerias para o governo federal, tendo contato direto com ministros e tomadores de decisão. Não se sabe se houve avanço nas negociações.



Para John Horwich, professor convidado de relações internacionais na América Latina da Universidade Yale, nos Estados Unidos, a estratégia bolsonarista de deslocar um dos membros do clã para atuar diretamente na influência e produção de conteúdo digital é um movimento alinhado com outras iniciativas mundo afora. “Políticos de todo o planeta perceberam a importância da militância virtual. No caso de Bolsonaro, a construção de uma figura assim se torna vital para manter o engajamento de seu público mais fiel”, disse. Segundo o acadêmico, a aproximação do filho 04 com o meio empresarial é outra jogada importante. “Os outros filhos estão intrinsecamente ligados à política, e agora nasce para a vida pública uma figura vestida de empresário, mas que carrega política em seu DNA”, afirmou.

Quando o projeto de Renan ainda era embrionário, o filho do presidente se encontrou o secretário de Cultura, Mario Frias, para discutir uma possível parceria em um projeto para promover competições de jogos eletrônicos. Ele, que hoje mora em Brasília, cogitou entrar para política e seguir os paços dos irmãos mais velhos, mas há uma lei que só permite que familiares do presidente se reelejam no mandato em exercício, impedindo que ele estreie na política. Imerso no mundo do empreededorismo e da influência digital, Renan mostra que para ser alfa como ele, há uma condição primordial: ter um pai presidente da República que não se importa com as leis e nem com as instituições.

Veja também

+ 5 benefícios do jejum intermitente além de emagrecer
+ Jovem morre após queda de 50 metros durante prática de Slackline Highline
+ Conheça o phloeodes diabolicus "o besouro indestrutível"
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa
+ Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel