Negócios

Os mexicanos querem o ponto

Aproximidade da criação da Alca, zona de livre comércio das Américas, prevista para 2005, começa a mexer com a economia brasileira. Discretamente, vários grupos mexicanos, que já têm as benesses do livre trânsito comercial com os Estados Unidos e Canadá, se preparam também para abocanhar mercados na América do Sul e começam a fincar suas bases de negócios principalmente no Brasil. Conglomerados como a CIE, da área de entretenimento, e Del Valle, fabricante de sucos, já atuam por aqui. A jogada do momento são as negociações que a Elektra, maior rede mexicana de eletrodomésticos, têm mantido com a Globex, controladora da Ponto Frio. ?Estamos em um processo bastante avançado de negociação?, admitiu Álvaro Rodrigues, vice-presidente da Elektra, à DINHEIRO. Boatos dão conta que a norte-americana Wal-Mart, a francesa Casino e o Pão de Açúcar também estariam de olho no Ponto Frio. Mas os interesses da Elektra se adequam muito bem à estratégia mexicana de se preparar para o livre comércio nas Américas. ?Desde 1997 iniciamos a expansão pelo continente?, diz Rodrigues.

Segunda maior cadeia varejista do México, perdendo apenas para a Wal-Mart, a Elektra tem 919 lojas. Quase três vezes mais que as 355 unidades do Ponto Frio. Seu faturamento deve atingir US$ 1,5 bilhão este ano, praticamente a mesma cifra do Ponto Frio. O que mostra que as unidades brasileiras são mais rentáveis. Só que enquanto a companhia brasileira atua apenas em território nacional, a Elektra já possui lojas em El Salvador, Guatemala, Honduras, República Dominicana e Peru. Fincar os pés no Brasil seria a glória para quem quer iniciar atividades no Mercosul, região mais rica da América Latina, e garantir os planos de expansão com a Alca. As conversas com o Ponto Frio tiveram início há dois meses e o que emperra a venda é o percentual de ações que os mexicanos querem: o controle acionário. Os executivos da Elektra consideram alto o preço de US$ 300 milhões por 51% das ações do Ponto Frio, conforme avaliação nos entendimentos. Além disso, propostas diferentes para adquirir de 15% a 25% dos papéis teriam sido apresentadas por redes varejistas ao banco Goldman Sachs, contratado pela Globex para intermediar as negociações.

 

 

O México é um país onde ainda vingam espécies de feudos empresariais, liderados por famílias como Saba, Azcarraga, Bailleres e Zambrano. A Elektra pertence aos Salinas, dona da TV Azteca, segunda maior cadeia de televisão do país, e de operadoras de telecomunicações como a Biper e Radiocel. ?Essas empresas atuam completamente separadas. Suas receitas somadas, no entanto, são da ordem de US$ 2 bilhões por ano?, lembrou Rodrigues. O que impressiona nessa história é o descaso do Brasil em ampliar seus negócios no continente, enquanto o México avança firme. Apesar de ter um PIB um terço menor que o do Brasil, exportou US$ 136 bilhões no ano passado, contra os US$ 48 bilhões das nossas vendas externas. ?As companhias daqui ainda não se deram conta da importância da Alca?, critica César Souza, da consultoria de negócios Monitor Group. ?Vai haver uma disputa muito forte entre companhias das Américas dentro de poucos anos?, ressalta. Na avaliação de Souza, companhias brasileiras podem ser esmagadas no processo de liberação do mercado do continente.

Uma das poucas exceções de grupos nacionais que já se aventuram pela América Latina é a Ambev. Para o consultor, é muito pouco. Ao entrar no Brasil, a Elektra aumentaria seu volume de distribuição de eletrodomésticos pelo continente, garantiria mais descontos junto aos fornecedores e fortaleceria seu poder de negociação. Poderia inclusive abrir mais mercado para as indústrias mexicanas na América do Sul. ?O México está trabalhando bem para sua inserção na Alca. O Brasil, não?, considera Souza.

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