Edição nº 1149 02.12 Ver ediçõs anteriores

Os 12 trabalhos de Hércules dos líderes eficazes – Parte 2

Antes de exercitar a força como Hércules fazia na mitologia grega, vale buscar a sabedoria de Salomão para identificar os maiores desafios que você precisa vencer para ser um líder mais conectado com os tempos atuais

Os 12 trabalhos de Hércules dos líderes eficazes – Parte 2

No último artigo publicado nesta coluna, iniciei uma provocação sobre os “12 trabalhos de Hércules” que os líderes eficazes precisam fazer. Se você considerou os seis primeiros instigantes, prepare-se porque a segunda parte não deixará por menos. Continue comigo nesta imersão em pontos essenciais para todos os líderes que buscam oxigenar a performance para garantir os resultados do presente e construir o futuro dos negócios. Os seis trabalhos adicionais para o sucesso do líder:

#7 – Desenvolver paixão pela inovação

A inovação precisa ser um hábito constante e não apenas espasmódico. Tem que ir muito além do produto e das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento. Esta prática deve tornar a empresa muito ágil e capaz de mudar tão rápido quanto a própria mudança, com a habilidade de se reinventar continuamente. Isso posiciona as empresas e suas lideranças de forma proativa, em busca do próximo patamar de sucesso. Além disso, torna a organização mais atrativa para os mais talentosos, criativos e os não-conformistas. Uma empresa tem de ser uma espécie de “atelier”, oferecendo um ambiente onde pessoas talentosas agem como se fossem parte de um elenco de artistas, sentindo prazer em criar, inovar e colocar seu talento a serviço dos clientes, parceiros e demais partes interessadas. As empresas que não inovam perecem!

#8 – Valorizar o intangível

A grande maioria dos líderes pertencem a uma geração educada com base na gestão dos tangíveis – capital, estoques, equipamentos, instalações, processos produtivos e tecnologia. Ter competência nesses fatores continua sendo necessário, mas não é mais suficiente. O diferencial das empresas vencedoras está na gestão dos intangíveis – confiança, ambiente de trabalho, relacionamentos, cultura, inovação, marca e reputação. É imprescindível aprender a valorizar o intangível sem prejuízo da excelência dos tangíveis. Não se trata de substituir um pelo outro, mas de introduzir a dimensão intangível no tangível. Empresas que não valorizam o intangível não se diferenciam.

#9 – Garantir excelência na execução

Nossa maior dificuldade tem sido a execução das nossas estratégias e não a concepção de planos inteligentes. Isso significa que deve haver foco em um novo conjunto de atitudes para transformar nossos sonhos em realidade. Temos de nos antecipar aos acontecimentos, criando os fatos e promovendo mudanças proativamente, por meio de rupturas construtivas que nos elevem a outro patamar. Empresas que não são boas na execução vivem no mundo da lua.

#10 – Incorporar sustentabilidade e diversidade ao modelo de negócios

As organizações não podem mais se dar ao luxo de tratar a sustentabilidade e nossas responsabilidades ambientais, ecológicas e sociais como mera declaração de intenção, que se repete ano a ano, principalmente no tempo das vacas gordas. Precisamos incorporar a sustentabilidade no dia a dia da empresa, transformando essas práticas em um ativo intangível, monetizado na valorização da empresa. A sustentabilidade deve fazer parte do nosso modelo de negócios e da nossa cultura. Empresas que não assimilam a diversidade ficam na mesmice.

#11 – Juntar o “injuntável”

É chegada a hora de apostar na convergência de aparentes paradoxos, incluindo o curto e o longo prazo; a eficácia e a eficiência operacional; a alta diferenciação e o baixo custo; as gerações X e Y; o eterno e o moderno; o cliente e os funcionários; o lucro e a felicidade. As empresas que não juntam o “injuntável” condenam-se a um único ciclo, primário ou binário, restringindo o raio de ação.

#12 – Investir na autoliderança

Mostrar coerência entre o que dizemos e o que fazemos é mais necessário do que nunca. Precisamos inspirar os outros pelo exemplo e garantir harmonia nas diferentes dimensões da nossa vida: profissional, familiar, pessoal, espiritual e cidadã. Temos de exercer nosso papel de ‘Homo curiosus’, aperfeiçoando nossa capacidade de aprendizagem. Mais que Era do Conhecimento, vivemos na Era da Aprendizagem. Não podemos ter a ilusão de que sucesso e felicidade consistem em não ter problemas. Na realidade, à medida que amadurecemos, os problemas não desaparecem. Pelo contrário, suas complexidades até aumentam. Ter sucesso e felicidade, na realidade, consiste em sentir-se preparado para enfrentar desafios que serão crescentemente complexos. Quem não é um bom líder de si mesmo não consegue liderar os outros com eficácia.

Espero que você, leitor, assim como Hércules, não se iniba diante desses grandes desafios. A partir dessa provocação inicial, construa sua própria lista customizada e priorize o foco de acordo com as maiores vulnerabilidades. Antes de exercitar a força como Hércules fazia na mitologia grega, vale buscar a sabedoria de Salomão para identificar os maiores desafios que você precisa vencer para ser um líder mais conectado com os tempos atuais. Quais “trabalhos” você precisa enfrentar, de forma prioritária, para ser um protagonista no futuro que já está batendo a sua porta?


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