Edição nº 1149 02.12 Ver ediçõs anteriores

Os 12 trabalhos de Hércules dos líderes eficazes – Parte 1

Os 12 trabalhos de Hércules dos líderes eficazes – Parte 1

Hércules Walt Disney/Divulgação

A mitologia universal tem vários deuses e Hércules é um dos mais emblemáticos, lendário por suas inacreditáveis façanhas. A figura mítica chegou a estrangular duas serpentes com as mãos. Além disso, passou por enormes adversidades ao ser condenado a enfrentar e vencer monstros como o Leão de Nemeia, Touro de Creta e a Hidra de Lerna.

Os líderes contemporâneos precisam se preparar para os novos tempos. Esse caminho para se tornarem mais eficazes, inspiradores e construir empresas mais longevas e autossustentáveis não é nada simples. De fato, exige muito foco em 12 prioridades que constituem desafios supremos. Conheça neste texto os seis primeiros “trabalhos de Hércules dos líderes eficazes”:

#1 – Construir um propósito claro

Não é mais saudável continuar buscando “apenas” obter resultados quantitativos, muito menos se o foco estiver no curto prazo. É imprescindível entender que os resultados sustentáveis são decorrentes da construção de significado, permitindo a criação de valor percebido em cada um dos atores envolvidos no negócio da empresa: clientes, pessoas, investidores, parceiros, fornecedores, distribuidores, comunidades do entorno. Enfim, todas as partes interessadas do ambiente em que gravitamos, pois são a razão de existir das empresas. Empresas sem propósito não são longevas!

#2 – Cultivar o capital liderança

Líderes de qualidade são necessários em todos os níveis e não apenas no topo da empresa. Estamos falando de lideranças eficazes, muito mais que gerentes eficientes, e capazes também de dar significado a suas equipes. No caso delas, a competência não está apenas em liderar pessoas, mas também em liderar clientes, parceiros e todo o cluster do negócio, indo muito além de liderar apenas dentro das paredes da empresa. As empresas precisam de líderes construtores de pontes e integradores, bem diferentes dos construtores de paredes, feudos e silos funcionais, que perpetuam visões fragmentadoras da realidade. Trata-se de lideranças capazes de garantir substitutos em curto prazo e cultivar sucessores no longo prazo, entendendo que o principal papel do líder é formar outros líderes, construindo o “capital liderança”, um indicador cada vez mais importante quando for feita uma mensuração do valuation da empresa. Empresas sem líderes (no plural) não são sustentáveis no longo prazo!

#3 – Criar uma cultura de empresariamento integradora dos modelos de negócios, de gestão e organizacional, promovendo governança saudável

As empresas precisam buscar um ponto ótimo de equilíbrio entre disciplina e ordem, necessárias para garantir a responsabilização por decisões, e o grau de autonomia e motivação que os talentos tanto desejam. Tentar conviver com um modelo de governança engessado e que afugente os jovens não é mais uma opção. Ao mesmo tempo, não se pode conviver em clima de desordem e falta de aderência aos valores fundamentais da empresa. O maior desafio dessa “Cultura de Empresariamento” é substituir a cultura típica das burocracias funcionais e fragmentárias da era do comando, baseadas no medo e no controle. Empresa sem uma cultura explicitada e praticada fica sem identidade!

#4 – Praticar a Clientividade

É necessário, de uma vez por todas, entender que cliente é responsabilidade de todos na empresa, bem como compreender que não possuímos canais e distribuidores, mas sim parceiros, cujo sucesso é uma das causas do nosso sucesso. Também é preciso que o pensamento empresarial migre de pontos de vendas (PDVs) para pontos de compra (PDCs). Temos de conjugar o verbo “Clientar” todos os dias e consolidar a “Clientividade” como mais interessante em relação à produtividade e competitividade. O espírito da “Clientividade” deve ser a base de sustentação dos negócios, nos levando, automaticamente, a garantir aos clientes o “solucionamento” – uma palavra que não existe – mas traduz a busca dos nossos clientes. Eles não querem apenas atendimento e relacionamento, pois isso virou obrigação. Querem algo a mais, ou seja, a solução para suas “dores” e desafios. Empresas sem clientes deixam de existir!

#5 – Inspirar muito mais e melhor as pessoas

A forma de liderar pessoas e construir equipes de alta performance mudou exponencialmente. Nesse sentido, acabou o espaço para “gestores de cargos”, pois é preciso customizar o relacionamento com as pessoas, respeitando a diversidade das suas individualidades. Esse processo não significa incentivar o individualismo e estimula constantemente o sentido de equipe. É necessário utilizar melhor o potencial de cada um e entender a tecnologia não como instrumento de afastamento das pessoas, mas um veículo para fortalecer a comunicação e as relações. Temos que aplicar o conceito de customização (utilizado para produtos e clientes) a nossa forma de liderar pessoas, identificando, desenvolvendo e engajando pessoas nos diferentes níveis e áreas, para que possam lidar com doses crescentes de ambiguidade e incertezas. Precisamos encorajar cada pessoa a assumir as rédeas do seu destino e da sua vida profissional. Empresas sem pessoas felizes não conseguem criar valor!

#6 – Montar um poderoso “hub” de parceiros

A competição não será mais apenas entre produtos ou empresas. A disputa passa a acontecer entre clusters de partes interessadas no negócio. As organizações vencedoras se diferenciarão porque o crescimento e desenvolvimento dos negócios ocorrem atualmente no campo das parcerias, joint ventures e alianças estratégicas, além de participação minoritária em outras empresas e acordos com produtores de tecnologias, centros de pesquisa e de ensino e instituições comunitárias. Atuar apenas com foco dentro da empresa não é mais suficiente. Empresas sem parceiros preferenciais não são competitivas!

Neste texto chegamos à metade dos 12 desafios. Você, leitor, já pode aproveitar essa provocação inicial para listar prioridades, de acordo com sua realidade. Buscar melhoria e aprimoramento em tempos de Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, o chamado “mundo VUCA” (da sigla em inglês), é realmente um trabalho hercúleo, mas possível para quem tem vontade e sabe definir o foco corretamente. No próximo texto sugerirei, para sua reflexão, mais seis “trabalhos de Hércules” que desafiam os líderes eficazes. Você não vai querer parar por aqui!


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