Negócios

Operação mãos limpas

Prestes a completar 70 anos, Ypê cria fórmula de álcool gel exclusiva para distribuir gratuitamente e doa mais de 100 toneladas de sabão em barra para comunidades carentes.

Crédito: Divulgação

SOLIDÁRIO Waldir Beira Júnior, atual presidente da empresa fundada por seu pai, diz que o investimento em ações para conter a pandemia será de quatro a cinco vezes o valor anual alocado em projetos socioambientais. (Crédito: Divulgação)

Motivos para comemorar não faltam. O momento é que não está propício a festividades. Com o isolomento social adotado como estratégia para conter o avanço da pandemia causada pelo novo coronavírus, os 70 anos da fabricante de produtos de higiene e limpeza Ypê só serão celebrados depois que os efeitos da Covid-19 tiverem se dissipado. Até lá, a prioridade do atual presidente, Waldir Beira Júnior, de 55 anos, filho do fundador, é manter o compromisso socioambiental que está no DNA da empresa desde a fundação, quando ela ainda se chamava Química Amparo. “Meu pai sempre esteve ligado a causas sociais. Atuava no terceiro setor antes de existir o que hoje chamamos de ONG. Minha mãe está à frente de uma delas há 45 anos”, diz Júnior, referindo-se à Sepi, entidade assistencial sem fins lucrativos que atende crianças e adolescentes em três municípios paulistas e que desde 2019 faz parte de uma ação educativa realizada em parceria da Ypê com o Insituto Akatu. “Temos uma ligação histórica com a questão filantrópica”.

Nas últimas semanas, a dedicação familiar ao cuidado com os outros se materializou em uma decisão industrial. Ao perceber que a demanda por álcool gel havia explodido a ponto de não poder ser atendida pelos fornecedores tradicionais, Júnior teve a ideia de incluir o item em sua linha de produção. “Entramos em contato com empresas do setor químico que já são nossas parceiras, caso da alemã Basf, e em três dias desenvolvemos uma fórmula. No quarto dia, começamos a fabricar”, conta. Cerca de 1,5 milhão de frascos estão sendo distribuídos gratuitamente para secretarias de saúde e não há planos de vender o produto, ainda que ele tenha exigido adaptar a fábrica da cidade de Amparo (SP) com a interrupção temporária de uma das linhas de detergente líquido. “Fizemos a opção de apenas doar, por entender que o álcool gel se tornou um ícone no combate ao coronavírus”, declara Júnior.

No caso do sabão em barra, item no qual a participação da Ypê é de cerca de 50% no País, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Saboeira (Abisa), a empresa já distribuiu mais de 100 toneladas, o que equivale a 500 mil unidades. Foram escolhidas quatro comunidades, duas em São Paulo (Paraisópolis e Heliópolis) e duas no Rio de Janeiro (Complexo do Alemão e Vila Kennedy). A empresa ainda não calculou o quanto será investido nas duas iniciativas, mas já sabe que o percentual que anualmente dedica a ações sociais deverá crescer entre quatro e cinco vezes este ano — mesmo com o envolvimento de parceiros que também abriram mão de parte da receita. “Conseguimos muita doação. A Raízen doou boa parte do álcool que estamos usando”, diz Júnior. Até para distribuir os produtos nas comunidades foram feitas parcerias com transportadoras, que também ofereceram seus caminhões sem cobrar nada.

A adesão de outras empresas às iniciativas da Ypê tem muito a ver com a forma pela qual ela é percebida no mercado. Presente em 91% dos lares brasileiros, segundo levantamento da consultoria Kantar, a Ypê conquistou, em 2019, pelo 13º ano consecutivo, o prêmio “Top of Mind em Meio Ambiente”, realizado pelo jornal Folha de S.Paulo com base em pesquisas do instituto DataFolha. A percepção do consumidor tem fundamento. Desde 2007, a empresa mantém, em parceria com a SOS Mata Atlântica, o Projeto Florestas Ypê, que promove o plantio de mudas de árvores nativas em regiões de mata ciliar, com o objetivo de preservar os mananciais para garantir a disponibilidade de água. No ano passado, foram plantadas 850 mil mudas em todo o País. Para este ano, a iniciativa será ampliada em 150 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. Elas irão para Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de Reserva Legal. Outra parceria com a SOS Mata Atlântica é o Observando os Rios, iniciado em 1991 com uma campanha que reuniu 1,2 milhão de assinaturas em prol da recuperação do Rio Tietê e originou o primeiro projeto de monitoramento da qualidade da água por voluntários. Desde então, outras bacias hidrográficas foram agregadas. Hoje, 3,5 mil pessoas monitoram 230 rios, nos 17 estados com Mata Atlântica. Água e sabão é o que todos precisam agora para manter as mãos limpas e evitar o contágio pelo novo coronavírus.

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