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Operação contra fraudes em licitações prende quadrilha que atuava em SP, MG e RS

Ao menos 19 pessoas, entre elas um vereador e um bombeiro aposentado, foram presos nesta quinta-feira, 14, em operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, contra uma quadrilha que fraudava licitações. A Justiça de Piracicaba, onde a investigação começou em 2015, expediu 22 mandados de prisão temporária e 28 de busca e apreensão em cidades dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Alguns mandados de prisão ainda eram cumpridos à tarde.

As fraudes focavam principalmente licitações para fornecimento de módulos de arquivos para prefeituras e câmaras, daí a operação ter recebido o nome de ‘Arquivos Deslizantes”. Em São Paulo, 23 promotores e 90 agentes das polícias Militar e Civil cumpriram mandados na capital, em cidades do ABC e nas regiões de Piracicaba, Franca, Campinas e São José do Rio Preto. Foi apurado que ao menos 15 empresas que atuavam na fabricação, representação e comercialização dos arquivos fraudavam as licitações simulando disputas entre si. No entanto, havia um ajuste prévio para que uma delas se sagrasse vencedora.

De acordo com o Gaeco, havia alternância entre as empresas que deveriam ganhar cada licitação e ficou demonstrada a participação de agentes públicos que sabiam dos ajustes entre as empresas e colaboravam direcionando os editais. “Os preços eram superfaturados e os editais eram direcionados para afastar outros concorrentes”, disse o promotor Alexandre de Andrade Pereira, do Gaeco de Piracicaba. Foram identificadas mais de 70 licitações fraudadas nos três Estados, com prejuízo de mais de R$ 8 milhões aos cofres públicos.

Em Catanduva, foi preso o vereador Daniel Palmeira de Lima (PR), ex-presidente da Câmara. Ele cumpre o sexto mandato e, segundo o Gaeco, comandava o esquema.

Foram feitas buscas em seu gabinete no Legislativo. Empresários e advogados da cidade também foram detidos.

Em Tabapuã, o Gaeco aprendeu documentos e computadores numa fábrica de arquivos que funciona atrás da prefeitura.

O bombeiro aposentado foi preso em Franca, no bairro Jardim Aeroporto, e seria levado para o presídio militar Romão Gomes, na capital. Ele é suspeito de intermediar as negociações entre prefeituras e câmaras e fornecedores de arquivos.

Outro lado

Procurado, o advogado do vereador Lima informou que se manifestaria só após ser constituído formalmente para a defesa.

A Câmara divulgou nota atribuindo a prisão a uma investigação do Gaeco que ainda estava em curso.

A Associação Comercial de Catanduva confirmou a detenção do presidente, mas informou que não tinha informações suficientes para se manifestar a respeito da prisão.

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