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ONGs alertam grupo francês Casino sobre riscos ligados ao desmatamento na Amazônia

Crédito: AFP/Arquivos

Vista aérea de áreas desmatadas próximas a Porto Velho, em 24 de agosto de 2019 - AFP/Arquivos (Crédito: AFP/Arquivos)

Várias organizações alertaram nesta segunda-feira o grupo francês Casino sobre as cadeias de abastecimento de carne em algumas de suas redes na América Latina e exigiram que a empresa respeite a legislação sobre o dever de vigilância e riscos relacionados ao desmatamento.

“Estas associações francesas, americanas e colombianas nos encarregaram de exigir o respeito às obrigações legais impostas à empresa Casino Guichard-Perrachon em termos de dever de vigilância e riscos relacionados ao desmatamento na América do Sul”, anunciaram seus advogados em um e-mail destinado ao CEO do grupo, Jean-Charles Naouri.

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O alerta das ONGs, que incluem Notre Affaire à Tous, Sherpa, Mighty Earth e Envol Vert, tem como base um relatório da última organização, franco-colombiana, publicado em junho.

O texto vincula quatro estabelecimentos agrícolas envolvidos no desmatamento ilegal no Brasil – na Amazônia e no Cerrado – e 52 produtos “vendidos em unidades do grupo”.

“Estes estabelecimentos agrícolas representam 4.500 hectares de florestas cortadas ilegalmente para acomodar o pastoreio de gado. Terras autóctones protegidas também foram reconvertidas , denunciou o relatório da ONG colombiana.

Na carta de advertência, os advogados destacam que “a investigação realizada pela Envol Vert permitiu demonstrar que estes fornecedores do grupo Casino […] eram frequentemente abastecidos por estabelecimentos agrícolas envolvidos em atividades de desmatamento e apropriação de terras indígenas”.

As ONGs exigem que o grupo estabeleça um mapa de riscos, a rastreabilidade em toda a cadeia de abastecimento, assim como a implementação de um sistema de alerta, principalmente nos casos de violação dos direitos dos povos amazônicos.

“Quando o Casino diz que verificou que seus três principais fornecedores são abastecidos diretamente em estabelecimentos agropecuários que não realizam o desmatamento, o objetivo deste relatório é afirmar que não é suficiente”, declarou François de Cambiarie.

Caso a empresa não cumpra a exigência em um prazo de três meses, as organizações pretendem levar o caso à justiça e “solicitar a indenização dos prejuízos resultantes”.

Nos primeiros oito meses do ano, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) identificaram 6.086 quilômetros quadrados de terras desmatadas na maior floresta tropical do mundo.

O desmatamento atingiu um nível excepcional em 2019 (9.178 km2) no Brasil, primeiro ano do mandato do presidente Jair Bolsonaro, que é muito criticado por sua política ambiental.

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